Lula e Flávio Bolsonaro preveem ofensiva em programa eleitoral com ‘Dark Horse’ e endividamento

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Montagem mostra Lula e Flávio em eventos de lançamento de campanha - Montagem

por Folhapress

A propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência da República terá Lula (PT) explorando o caso “Dark Horse” contra Flávio Bolsonaro (PL) e o senador abordando a alta de preços e o endividamento dos brasileiros para desgastar o governo do petista.

O programa dos presidenciáveis em rede de rádio e TV estreia no sábado (29), mas já nesta sexta (28) começarão a ser exibidas as primeiras inserções —peças menores de 30 segundos a um minuto, distribuídas ao longo da programação.

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No sábado, a propaganda de Flávio vai anteceder a de Lula, que fecha o horário eleitoral, segundo o revezamento sorteado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Além de falar por último, o petista também conta com mais tempo que o bolsonarista —são 5 minutos e 31 segundos, contra 4 minutos e 20 segundos.

Isso porque Lula somou ao tempo do PT os minutos de outros partidos da sua coligação (PSOL, Rede, PC do B, PV, PSB e PDT), enquanto Flávio não conseguiu apoio de mais legendas e concorre somente pelo PL. O tempo de cada partido é proporcional ao tamanho de sua bancada no Congresso.

A primeira peça do petista na TV terá ataques ao seu principal adversário, comparando a biografia do senador a registros policiais e lembrando as conversas dele com Daniel Vorcaro, dono do Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Além dos ataques ao rival, a peça vai mesclar a defesa de ações do governo Lula e a apresentação de propostas para um eventual novo mandato.

Integrantes da campanha e aliados de Lula relataram à reportagem que a ofensiva contra o senador não ocupará a maior parte do programa e que esse tema deverá ser mais frequente nas inserções mais curtas de rádio e TV.

A biografia do concorrente será apresentada em forma de ficha corrida, como em registros policiais. Além do caso “Dark Horse”, petistas devem explorar episódios que provocaram desgaste à imagem de Flávio Bolsonaro no passado, como as antigas acusações de “rachadinha” em seu gabinete como deputado estadual.

A biografia de Lula, por outro lado, será apresentada com uma narrativa mais leve, em forma de clipe musical.

Tradicionalmente, campanhas políticas abrem a propaganda na TV dedicando mais tempo a apresentar seu candidato. O grupo do petista, porém, avalia que ele está na política há 50 anos e já é suficientemente conhecido pelo eleitorado, o que liberaria tempo de campanha para outros temas.

Estrategistas de Lula avaliam que seria útil apresentá-lo ao público mais jovem, que não o conheceu antes de ser presidente. Mas que esse estrato da população não tem o hábito de assistir TV, o que reduziria a eficácia de uma apresentação por esse meio.

Lula também tem o objetivo de desenvolver para o eleitorado o conceito central de sua campanha, “o Brasil pronto para mais”.

O raciocínio a ser disseminado é que o petista assumiu o país em 2023 com o governo desorganizado e com políticas públicas desmontadas pela gestão de Jair Bolsonaro. A campanha dirá que o primeiro mandato foi dedicado principalmente a colocar o país em ordem, e que os verdadeiros avanços poderão ser alcançados com mais quatro anos de Lula como presidente.

O programa eleitoral de Lula defenderá medidas de seu governo, como o Pé de Meia, o Gás do Povo e a renovação automática da CNH. Projetos como o fim da escala 6×1 devem ser colocados como possíveis para aprovação neste ano e implementação após a reorganização do governo, e que só Lula tem condições de colocá-los em prática.

Já a campanha de Flávio Bolsonaro deve levar à TV, no primeiro programa, a questão do endividamento dos brasileiros e do aumento no custo de vida. De acordo com um auxiliar do senador, o programa vai tratar dos gargalos do Brasil e vai tocar em temas que dificultam o dia a dia da população.

Em entrevistas e discursos recentes, Flávio tem apostado prioritariamente no assunto da economia para atacar Lula, além de tratar de corrupção, do escândalo do INSS e do caso Lulinha.

A ideia, segundo auxiliares do senador, é abordar as dificuldades do empreendedor e da situação de quebradeira nas empresas —Flávio tem dito que os negócios sobreviveram à pandemia, mas não ao governo Lula. Ele também tem ressaltado que o salário já não dá conta das compras de supermercado.

Para isso, o programa vai utilizar gravações feitas em comércios populares. Como mostrou a Folha, Flávio gravou em frente a uma unidade das Casas Bahia em Taguatinga, uma das principais regiões administrativas do Distrito Federal.

O objetivo do candidato é usar o recente pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia para tentar desgastar Lula, batendo na tecla de que a irresponsabilidade fiscal do governo leva a juros altos, demissões em massa, inflação e perda do poder de compra.

Como mostrou o Painel, a campanha do PL vai aproveitar os recentes casos de falência de empresas para culpar Lula e associar o problema à gestão fiscal adotada pelo governo do petista. O discurso vai associar os juros altos e a perda do poder de compra do brasileiro ao crescente número de empresas em recuperação judicial.

O programa deve utilizar ainda imagens de comícios e carreatas de Flávio no Rio de Janeiro e em Alagoas, eventos que reuniram aglomerações de apoiadores de verde e amarelo.

A equipe avalia ainda se vai exibir, já no primeiro programa, gravações feitas com Flávio e sua mulher, a dentista Fernanda Bolsonaro, que tem sido trazida para a campanha com o objetivo de minimizar a rejeição do eleitorado feminino.

Flávio também gravou com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), no começo do mês, durante um encontro promovido por ele com candidatos ao Senado. Segundo relatos, a ex-primeira-dama e o enteado falam da importância de elegerem senadores aliados e pedem votos um para o outro —Michelle é candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que os dois gravaram material apenas para as inserções que são veiculadas ao longo do dia —não para os programas eleitorais exibidos em dois blocos fixos. Ainda não há data para uma nova gravação conjunta.

Os dois blocos de programas principais, de 12 minutos e 30 segundos cada um, são divididos entre os candidatos de acordo com o tamanho de suas coligações. No rádio, eles são veiculados às 7h e às 12h. Na TV, os horários são 13h e 20h30.

Além de Lula e Flávio, os candidatos com tempo de TV são Ronaldo Caiado (PSD), com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 35 segundos. Os demais candidatos não terão tempo na televisão porque seus partidos não atingiram a cláusula de desempenho na última eleição.

Ao longo dos 35 dias de campanha eleitoral na TV no primeiro turno, a campanha de Lula terá direito a 433 inserções na programação. A de Flávio, 339. Caiado e Cury, 159 e 47, respectivamente.

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