Entenda como funciona o programa do Governo Lula que facilita compra de veículo próprio para trabalhar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial no Palácio do Planalto - Gabriela Bilo - 3.jun.26/Folhapress
Motoristas que utilizam seus veículos como ferramenta de trabalho passam a contar com um programa permanente. O presidente Lula sancionou, nesta segunda-feira, 14, a lei que consolida o Move Brasil, criado para facilitar o acesso a veículos novos. A iniciativa atende motoristas e entregadores de aplicativos, taxistas e, com a nova legislação, contempla também profissionais do transporte escolar.
Com R$ 30 bilhões destinados pela União, o programa permite financiar até R$ 200 mil por trabalhador e, conforme a modalidade, cobrir 100% do valor do veículo.
Durante a cerimônia, Lula destacou que o financiamento pode ajudar quem compromete parte da renda com aluguel a conquistar seu próprio instrumento de trabalho.
“Quando a gente consegue fazer uma política pública que permite ao motorista de Uber, que pagava R$ 4 mil, R$ 5 mil de aluguel do seu carro, ter um carro próprio e, além do patrimônio, pagar quase a metade do que pagava antes, ou uma pessoa que pagava mais de R$ 1 mil de aluguel de uma moto e agora tem uma moto sua, saber que ele está construindo um patrimônio é tudo que o Estado pode fazer”, afirmou.
Crédito mais barato para quem vive do próprio veículo
O Move Brasil busca reduzir a dependência de financiamentos caros e do aluguel de veículos, além de permitir a substituição de modelos antigos por outros mais modernos, seguros e eficientes.
Para os profissionais de duas rodas, podem ser financiadas motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas produzidos ou montados no país, conforme as regras do programa. O crédito pode cobrir 100% do valor, sem entrada, com pagamento em até 48 meses.
Podem participar profissionais cadastrados em plataformas digitais há pelo menos seis meses e que cumpram os critérios de atividade. A modalidade também contempla trabalhadores com vínculo formal, observados os requisitos específicos.
Programa já movimenta a economia
Durante a cerimônia, Lula informou que aproximadamente 50 mil carros e 19 mil motocicletas já haviam sido adquiridos por meio da iniciativa.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que os efeitos também chegam à indústria, ao emprego e ao meio ambiente.
“Segurança automotiva. Menor risco de acidente. Questão ambiental, polui muito menos. Melhora o meio ambiente, melhora a saúde pública, com segurança automotiva, produtividade e competitividade, pois são veículos de trabalho”, afirmou.
A representante dos entregadores Lica ressaltou o diálogo com o governo. “Realmente o presidente Lula é o único presidente que olha para a classe trabalhadora”, declarou.
Como participar?
O primeiro passo é solicitar a habilitação na plataforma oficial do programa, com uma conta Gov.br. Após a análise das informações e a confirmação de que atende aos critérios, o profissional pode procurar uma instituição financeira habilitada.
A liberação do crédito depende da análise do banco, que considera o histórico financeiro e a capacidade de pagamento do interessado.
Para motoristas de aplicativo, o tempo mínimo de atividade caiu de 12 para seis meses. É necessário comprovar esse período na mesma plataforma e a realização de pelo menos 100 corridas. Quem não atendia ao critério anterior pode solicitar novamente a habilitação.
Um programa para diferentes trabalhadores
Táxis, aplicativos e transporte escolar
Para carros, o financiamento pode chegar a R$ 200 mil por trabalhador, cobrir até 100% do valor e ser pago em até 84 meses, com seis meses de carência. As condições específicas para o transporte escolar ainda serão definidas.
Entregadores e MotoApp
A modalidade atende motociclistas e ciclistas profissionais que atuam no transporte de passageiros ou cargas. O financiamento de veículos elegíveis pode cobrir o valor integral, sem entrada, com pagamento em até 48 meses.
Caminhões e ônibus
A linha de veículos pesados tem R$ 21,2 bilhões: R$ 17,2 bilhões para frotistas de caminhões, R$ 2 bilhões para frotistas de ônibus e R$ 2 bilhões para caminhoneiros autônomos.
Podem participar transportadores autônomos, associados de cooperativas, empresários individuais e empresas do setor. Há condições diferenciadas para retirada de veículos antigos de circulação e encaminhamento para desmonte.
Máquinas agrícolas
Lançada em 30 de junho de 2026, a modalidade prevê R$ 10 bilhões para modernização do maquinário nacional. Atende produtores rurais e cooperativas agropecuárias e permite financiar equipamentos como tratores, pulverizadores, colheitadeiras e semeadeiras.
Patrimônio, renda e trabalho
Ao facilitar a aquisição do veículo próprio, o Move Brasil busca transformar despesas com aluguel em investimento no patrimônio do trabalhador. A renovação da frota também estimula a produção industrial e a geração de empregos.
Para Lula, o alcance da iniciativa vai além dos beneficiários diretos. “Não é uma política para ajudar uma categoria. Nós estamos tentando ajudar esse país a deixar definitivamente de ser um país em via de desenvolvimento e se transformar num país desenvolvido”, afirmou.


