Lula: ‘o povo brasileiro merece saber para onde foram os R$ 130 milhões do Dark Horse’

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Montagem mostra Lula e Flávio em eventos de lançamento de campanha - Montagem

por Brasil 247

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou explicações sobre o destino dos recursos negociados para financiar Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que a sociedade brasileira precisa saber como o dinheiro foi utilizado. A declaração foi dada nesta quarta-feira (16) durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show.

Ao comentar o caso, Lula centrou as críticas no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que confirmou ter procurado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em busca de recursos privados para o projeto. As conversas investigadas indicam que o financiamento previsto chegava a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Não há, porém, evidência de que todo esse montante tenha sido efetivamente repassado.

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“Quero saber, o Flávio pegou o dinheiro, 130 milhões. 130 milhões, não foi R$ 13 milhões, não foi R$ 1.300 mil, foi R$ 130 milhões para fazer um filme”, declarou Lula.

O presidente acrescentou que considera insuficientes as explicações apresentadas até agora sobre a movimentação dos recursos. “E não explica a unidade, não explica onde está esse dinheiro”, afirmou.

A cobrança ocorre enquanto a Polícia Federal aprofunda a investigação sobre a estrutura financeira montada para viabilizar Dark Horse. Documentos analisados pelos investigadores mostram que o projeto previa investimento de US$ 24 milhões. Parte dos valores saiu da Entre Investimentos e Participações e foi encaminhada ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos.

O fundo norte-americano é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. A PF também apura mensagens nas quais Eduardo teria discutido formas de administrar nos EUA os recursos destinados ao projeto cinematográfico. Essa circunstância integra a investigação, mas não significa, por si só, que o dinheiro tenha sido utilizado para despesas pessoais do ex-deputado.

Durante a entrevista, Lula apresentou justamente essa suspeita como uma acusação política contra a família Bolsonaro. “Era um fundo que saía direto de um centro da ONU para ir para os Estados Unidos, ou seja, para sustentar o irmão dele que está lá, tramando o golpe contra o Brasil”, disse. A afirmação de que os recursos sustentariam Eduardo Bolsonaro não está estabelecida como conclusão da investigação e permanece no campo das acusações feitas pelo presidente.

Flávio confirmou pedido de recursos a Vorcaro

Flávio Bolsonaro já reconheceu que buscou financiamento junto a Daniel Vorcaro, mas sustenta que se tratava de um investimento privado para uma produção privada sobre seu pai e nega irregularidades. Em declaração divulgada anteriormente, afirmou que não recebeu nem ofereceu vantagens em troca do dinheiro e disse que não houve utilização de recursos públicos.

O senador também afirmou que os valores repassados por Vorcaro foram “100% investidos” no filme e que a produtora responsável poderia apresentar contratos e prestações de contas para comprovar a destinação dos recursos.

As cifras, entretanto, ainda são objeto de apuração. Reportagens sobre as conversas entre Flávio e Vorcaro apontaram que o acordo previa R$ 134 milhões e que cerca de R$ 61 milhões haviam sido efetivamente pagos. A investigação posterior passou a trabalhar com repasses de aproximadamente R$ 63,7 milhões relacionados ao projeto.

A própria prestação de contas da produção trouxe valores distintos. Uma perícia privada contratada pela defesa da Go Up Entertainment, responsável pelo filme, afirmou que Dark Horse teve custo de aproximadamente R$ 75 milhões, incluindo operações no Brasil e nos Estados Unidos. O levantamento apontou o Havengate como responsável pelos aportes, mas não identificou, nos documentos analisados, Vorcaro ou outros financiadores finais dos recursos.

PF questiona estrutura financeira de Dark Horse

A Polícia Federal passou a analisar com maior atenção a engenharia financeira do projeto após encontrar no celular de Vorcaro um plano de negócios para o filme. O documento previa arrecadação de até US$ 100 milhões nas bilheterias, projeção considerada atípica pelos investigadores por superar amplamente referências do mercado cinematográfico brasileiro.

Segundo o relatório da PF, o Havengate havia sido criado originalmente para um empreendimento imobiliário e ficou inativo durante anos antes de receber os recursos destinados ao projeto cinematográfico. Os investigadores pediram esclarecimentos sobre a origem, o caminho e a aplicação do dinheiro.

A apuração enfrenta ainda dificuldades para reunir toda a documentação produzida nos Estados Unidos. Michael Brian Davis, sócio da Go Up naquele país, afirmou que só entregará registros contábeis, fiscais e bancários mediante determinação da Justiça norte-americana e pelos canais oficiais de cooperação entre os dois países.

Em paralelo, outra frente de investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, apura a suspeita de que recursos provenientes de emendas parlamentares possam ter chegado a estruturas relacionadas à produtora de Dark Horse. O deputado Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme, esteve entre os alvos da operação e nega irregularidades.

Lula amplia críticas ao clã Bolsonaro

Na entrevista, Lula também associou o episódio ao confronto político com a família Bolsonaro e criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“E se ele voltar para o Brasil, vai ser preso. Porque o traidor da pátria tem que ser preso. Ele está vendendo o Brasil aos interesses americanos. Nós temos que falar o que eles são”, afirmou.

Em outro trecho, o presidente elevou o tom e associou seus adversários aos escândalos envolvendo o Banco Master e fraudes contra o INSS. “E eu vou dizer para vocês uma coisa, é quase que uma quadrilha, não uma família. Eles criaram o Banco Master, eles criaram o Banco Master. Ou seja, eles criaram um banqueiro e eu tornei o banqueiro prisioneiro. Esse é o dado concreto. Eles criaram a quadrilha do INSS e eu prendi a quadrilha.”

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