Documentário sobre Bolsonaro recebeu dinheiro de produtora de ‘Dark Horse’, segundo dados da Polícia Federal

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por Folhapress

Multidão de manifestantes ocupa a Marginal Pinheiros em São Paulo durante o dia. Muitos usam capacetes e roupas de motociclistas, e um homem no centro levanta a mão direita. Ao fundo, a manifestação se estende até onde a vista alcança, com árvores e prédios ao redor
Imagem do documentário ‘A Colisão dos Destinos’, sobre a história de Jair Bolsonaro – Divulgação

A empresa responsável por um documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que estreou neste ano também recebeu recursos de uma entidade dirigida por Karina Gama, dona da produtora Go Up, que fez o filme “Dark Horse”.

A Dori Filmes, produtora do documentário “A Colisão dos Destinos”, obteve, segundo dados da Polícia Federal, R$ 84 mil da ANC (Academia Nacional de Cultura), presidida por Karina Gama. A transferência ocorreu no período de maio de 2025 a maio de 2026, de acordo com documento da PF.

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“A Colisão dos Destinos” estreou nos cinemas em maio, prometendo apresentar ao espectador a “história não contada” do ex-presidente, retratado como figura simples perseguida por não ceder à corrupção e destinado por Deus ao mais alto cargo da República.

Na obra, falam a favor do ex-mandatário parlamentares como Mario Frias (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Helio Lopes (PL-RJ), além do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

A Dori Filmes pertence a Doriel Francisco da Silva, diretor de “A Colisão dos Destinos”. Além de ter recebido dinheiro da ANC, a produtora do documentário recebeu R$ 22 mil de verba de cota parlamentar de Frias entre abril e julho de 2024. À reportagem Frias afirmou, em maio, ter sido um colaborador pontual do documentário, “auxiliando na articulação de agenda com a família do presidente Jair Bolsonaro e também como um dos depoentes”.

Frias se tornou alvo de operação deflagrada pela Polícia Federal na última semana sob suspeita de desvio de R$ 750 mil em emendas para a produtora Go Up, de Karina. O parlamentar também transferiu, segundo a PF, R$ 645 mil para a produtora dela, valor considerado pela instituição incompatível com o rendimento de deputado federal.

Ele negou qualquer irregularidade e disse que a operação policial era uma “cortina de fumaça”.

A investigação sobre o filme “Dark Horse” se tornou uma das principais vidraças da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O candidato pediu dinheiro no ano passado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para concluir a produção cinematográfica. O caso é investigado pela PF, que já disse ver indícios de atuação de uma organização criminosa suspeita de “direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular”.

Folha tentou contato com Frias, Karina Gama, Doriel Francisco da Silva e com a Passos da Liberdade, mas eles não responderam.

Na semana passada, Karina disse em nota que não cometeu nenhum ilícito e que “investigação não é acusação, muito menos condenação”.

‘Bolsonaro da Shopee’

Doriel Francisco da Silva é associado a outro projeto, da Associação Passos da Liberdade, que já recebeu R$ 860 mil de emendas de Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para a produção de um documentário de média metragem chamado “Genocidas”.

Segundo o site da Passos da Liberdade, o projeto virou o documentário “Nós”, sobre “regimes totalitários do século 20, com censura, perseguição política, centralização do poder, engenharia social, controle da linguagem e restrição progressiva das liberdades individuais”.

Na campanha eleitoral deste ano, a Dori Filmes é, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), um dos principais fornecedores da candidatura de Vilmar Rigo (Novo), o “Bolsonaro da Shopee”, que concorre a deputado federal em Mato Grosso.

A empresa recebeu R$ 20 mil, em despesas declaradas com produção audiovisual.

O candidato a deputado federal Vilmar Rigo (Novo), conhecido como Bolsonaro da Shopee, com o ex-presidente Jair Bolsonaro – Arquivo pessoal

A produtora também é responsável por vídeo divulgado no YouTube do candidato que conta a história do pecuarista nascido em Erechim (RS). A direção é de Doriel Francisco.

Segundo Rigo, a escolha da produtora para a campanha veio depois de conhecer o trabalho dela em “A Colisão dos Destinos”, somado ao fato de ser apoiador de Jair Bolsonaro. Ele afirma desconhecer menção da produtora em apurações envolvendo Mario Frias.

“Sou admirador do trabalho do Doriel, que faz algumas coisas para várias empresas no Brasil. Tive conhecimento, assisti ao filme [“A Colisão dos Destinos”]. Gostei, me interessou”, afirmou à reportagem.

Segundo ele, o apelido de “Bolsonaro da Shopee” foi dado por Nikolas Ferreira, que o marcou nas redes sociais em 2023, quando o perfil de Rigo cresceu em seguidores (hoje ele tem 187 mil no Instagram).

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