Equipe econômica de Lula estuda novo programa para reduzir endividamento das famílias
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Adriano Machado - 13.jan.26/Reuters
por O Globo
A equipe econômica vai apresentar ao presidente Lula, nos próximos dias, a proposta de um novo programa para a redução do endividamento das famílias. Em entrevista exclusiva ao jornal “Extra”, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que a ideia é fazer uma espécie de “leilão” para que o governo viabilize a recompra, com deságio, de dívidas antigas dos consumidores.
Mas, diferentemente do que o ocorreu no Desenrola 1, no início do mandato de Lula, o consumidor não teria de fazer essa renegociação na plataforma. O próprio governo realizaria o leilão.
A iniciativa ocorre às vésperas das eleições e num momento em que a inadimplência das famílias brasileiras segue em patamares recordes, apesar de os dois programas anteriores do governo para atacar o problema, o Desenrola 1 e o Desenrola 2, terem alcançado 19 milhões de brasileiros. E num contexto de avanço da oposição nas pesquisas eleitorais e de piora de avaliação do governo pelos brasileiros.
Segundo os dados mais recentes do Banco Central, a inadimplência dos consumidores em julho chegou a 5,8%,o maior patamar desde março de 2011.
Impacto da pandemia
Duringan afirmou que o foco do novo programa será em dívidas antigas ou nos débitos que mais dificultem a retomada do crédito pelos brasileiros que estão inadimplentes. O ministro avalia que as origens do elevado endividamento das famílias remontam à crise econômica e às dificuldades do período da pandemia da Covid.
Por isso, programas como o Desenrola e outros para reduzir o endividamento precisam ser feitos com recorrência.
— Vamos propor ao presidente que ele faça uma política para limpar o nome, principalmente das dívidas mais antigas, que os próprios bancos, as próprias empresas de prestação de serviços, já perderam a esperança de cobrar — afirmou o ministro.
O primeiro Desenrola alcançou dívidas bancárias e de contas de consumo (luz, gás, etc.) por meio de uma plataforma de renegociação, aberta após um leilão que definiu quais credores seriam contemplados, conforme o desconto oferecido.
No segundo Desenrola, o foco era exclusivo em dívidas de crédito bancário. O débito era renegociado com o próprio banco, a partir de faixas de desconto estabelecidas pelo governo, que se tornou o garantidor dessas operações. Agora, segundo Durigan, o objetivo será atacar as dívidas antigas.
Uso na campanha
O desenho do programa ainda está sendo finalizado pelos técnicos e será apresentado ao presidente Lula nos próximos dias, para que, segundo Durigan, possa ser levado para a campanha.
A ideia é que os consumidores que hoje estão numa situação melhor de renda e emprego consigam se livrar de débitos antigos que, por conta dos juros altos, acabaram se tornando impagáveis e deixaram essas pessoas com o nome negativado.
Essas dívidas seriam recompradas, sem que o consumidor precisasse fazer a renegociação. Por isso, o nome Desenrola talvez não seja usado novamente.
— No Desenrola 1, a gente chamou as pessoas para fazer o match dentro da nossa plataforma. As pessoas tinham que entrar e aceitar aquela negociação. Estamos caminhando para um modelo em que a gente faça o leilão e viabilize a compra dessa dívida com um deságio alto para não ter grande impacto nas contas públicas.


