Lula defende tecnologia nacional em Florianópolis: “Não somos menores do que ninguém”

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por Brasil 247

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou investimentos em crédito, expansão das exportações, educação, ciência e tecnologia durante discurso neste sábado (19), em Florianópolis (SC). Ao falar sobre a economia catarinense, Lula ressaltou a força das cooperativas e da integração entre empresas e produtores rurais e afirmou que a abertura de mercados internacionais ampliou as oportunidades para setores importantes do estado.

Segundo Lula, o governo abriu 34 novos mercados internacionais para aves e derivados e outros 25 para carne suína e derivados. Ele também citou a abertura de 37 mercados para bovinos e derivados e 22 para pescado. Somadas as quatro cadeias, o presidente afirmou que Santa Catarina passou a ter acesso a 118 novos mercados durante seu governo. No conjunto do país, disse Lula, foram abertos 690 mercados em quatro anos.

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“Somando as quatro proteínas aqui em Santa Catarina, são 118 mercados que o Lula, aquele que eles não gostam, abriu para eles venderem o seu produto”, afirmou.

Lula também defendeu a política de crédito de seus governos para grandes e pequenos negócios e destacou a importância da agricultura e das cooperativas catarinenses. Na avaliação do presidente, a expansão das exportações deve caminhar junto com investimentos em infraestrutura, educação e formação profissional.

Críticas à gestão da pandemia

Durante o discurso, Lula voltou a criticar a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro. Ele afirmou que não esperava que o então presidente tivesse conhecimento técnico para conduzir a área da saúde, mas que deveria ter formado um comitê de crise com especialistas.

“Eu nunca cobrei do presidente que ele soubesse tratar. É o único que eu cobrei. Eu só cobrava que ele precisava ter inteligência de montar um comitê de crise com especialistas e ouvir quem entende”, disse.

Lula também fez referência às declarações de Bolsonaro sobre vacinas e defendeu a vacinação como instrumento de proteção à população.

“Vacina vira saúde. Vacina vira saúde. Vacina vira vida”, afirmou.

O presidente associou a discussão sobre a pandemia ao debate eleitoral e convocou seus apoiadores a apresentarem argumentos durante a campanha. “Me dê três motivos por que você vota no Bolsonaro e eu votar mil motivos por que eu voto no Lula”, declarou.

Educação como eixo do desenvolvimento

A educação ocupou parte central do discurso. Lula afirmou que a expansão da rede federal de ensino superior e tecnológico é uma das marcas de seus governos e do governo Dilma Rousseff em Santa Catarina.

“Dos seis campi que tem neste estado, nós fizemos cinco. 83% dos campus universitários foi o torneiro mecânico que fez”, afirmou. Segundo o presidente, dos 41 institutos federais existentes no estado, 32 foram criados durante os governos petistas.

Lula também citou a criação do Pé-de-Meia como uma política destinada a reduzir a evasão escolar entre estudantes do ensino médio. O programa oferece incentivos financeiros vinculados à matrícula, frequência e conclusão dos estudos; em 2026, a Caixa mantém pagamentos regulares aos estudantes que atendem aos critérios do programa.

“É justo deixar 500 mil crianças desistirem de estudar porque não tem dinheiro? Aí criamos o Pé de Meia”, disse.

Ao defender a expansão da educação, Lula comparou os custos da formação de estudantes aos gastos do sistema prisional e defendeu que o investimento em escolas seja tratado como estratégia de prevenção e desenvolvimento.

“Ao invés de construir cadeia, eu construo escola. Ao invés de ficar discutindo aumentar a pena para punir os menores, eu quero aumentar a quantidade de anos de escolaridade para os menores, para eles se formarem e para eles aprenderem.”

Pesquisa, inteligência artificial e petróleo

Lula também relacionou a política educacional ao desenvolvimento científico e tecnológico. Ele defendeu investimentos contínuos em pesquisa, mesmo quando os resultados não são imediatos, e citou a exploração de petróleo em águas profundas como exemplo de uma tecnologia desenvolvida a partir de décadas de pesquisa.

“Porque a gente não fizesse, a gente não pegava petróleo a 100 mil metros de profundidade”, afirmou.

Ao falar sobre a margem equatorial, Lula disse que a exploração já teria alcançado 7 mil metros de profundidade e afirmou que o petróleo encontrado apresenta qualidade superior à do pré-sal. O presidente defendeu que a eventual riqueza gerada pelo petróleo seja direcionada a áreas como educação, tecnologia e saúde.

“Esse petróleo é para formar um gênio desse país”, declarou.

Lula também defendeu o desenvolvimento de inteligência artificial em língua portuguesa. Segundo ele, o Brasil precisa formar profissionais e desenvolver tecnologia própria para não depender exclusivamente de soluções produzidas em outros idiomas.

“Nós não somos menor do que ninguém. Nós não somos mais burros do que ninguém. O que faltou pra nós é oportunidade”, afirmou.

Redata e novos investimentos em tecnologia

Outro tema abordado foi a instalação de data centers no Brasil. Lula citou a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, sancionado em 15 de setembro. A legislação prevê incentivos para o setor vinculados a contrapartidas de investimento e pesquisa e desenvolvimento, além de mecanismos de sustentabilidade e estímulos à desconcentração regional.

“Eu estou fazendo três. Eu criei o Pé de Meia”, afirmou Lula ao enumerar políticas de seu atual mandato antes de tratar do programa de data centers.

O presidente disse que o Brasil pode atrair até R$ 500 bilhões em investimentos com a expansão dos centros de processamento de dados e ressaltou a disponibilidade de energia renovável do país. Ao mesmo tempo, defendeu que novos empreendimentos assumam investimentos adicionais em geração de energia.

“E nós não vamos deixar que a energia produzida pelo estado brasileiro não é para data center. É para a nossa casa, para a nossa geladeira, para o nosso computador. Quem vier para cá tem que fazer investimento para construir usina para produzir energia”, afirmou.

Minerais críticos e terras raras

Lula também citou a exploração de minerais críticos e terras raras como uma frente estratégica para o desenvolvimento brasileiro. Ele afirmou que o país ainda precisa ampliar o conhecimento sobre seu território e desenvolver tecnologia própria para transformar suas reservas minerais em riqueza.

“Mesmo conhecido só 30%, o Brasil é o segundo país em terras raras e minerais críticos. A China é o primeiro. Mas o Brasil não tem tecnologia para explorar”, disse.

O presidente afirmou que pretende ampliar a formação de profissionais nos institutos federais e universidades para atender à demanda por conhecimento especializado.

“Então também nós vamos criar cursos nos institutos federais e nas nossas universidades para fazer com que o povo brasileiro, sabe, seja mais capaz que os chineses.”

Para Lula, educação, ciência, tecnologia e geração de empregos qualificados devem estar no centro da estratégia de desenvolvimento do país. “Cuidar do futuro é investir em educação, é investir em saúde, é investir em emprego de qualidade”, concluiu.

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