Agência ligada a militares dos EUA procura professor de português às vésperas da eleição brasileira

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por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na cerimônia de formatura da Academia da Guarda Costeira dos EUA, em 2026 – Kent Nishimura/AFP

A Ascensus Global, empresa americana que presta serviços de idiomas a órgãos militares e de inteligência dos Estados Unidos, abriu uma vaga para professor de português brasileiro para ministrar um treinamento especializado entre outubro e novembro de 2026, às vésperas do primeiro turno das eleições no Brasil.

A plataforma publicou neste mês vagas de emprego para docentes de idiomas como espanhol, árabe, mandarim e português europeu, mas essas posições não preveem um período específico de ensino. O anúncio do cargo de instrutor de português brasileiro é também o único que menciona diretamente o ensino de membros das Forças Armadas americanas.

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O programa terá duração de três semanas, sendo uma de atividades virtuais e duas presenciais em Montgomery, no Alabama. A cidade tem uma base da Força Aérea americana.

A vaga exige português nativo, domínio do inglês e experiência profissional no ensino do idioma a militares ou funcionários governamentais, além de atuação em tradução e interpretação entre português e inglês.

Entre os requisitos desejáveis estão experiência na organização de programas de treinamento linguístico ou cultural e familiaridade com ambientes militares dos Estados Unidos.

Na 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada nesta terça-feira (22), Donald Trump ameaçou uso de força militar nas Américas. O presidente também classificou como positiva a ação americana na Venezuela e comparou os carteis de drogas ao Estado Islâmico.

Como revelado pela coluna, um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre ameaças ao processo eleitoral de 2026 elevou a possibilidade de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.

Enviado à Presidência da República, ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto, o documento aponta uma tendência de escalada da pressão americana sobre o Brasil e afirma que o governo de Donald Trump tem como prioridade reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina.

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