Campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou uma única medida sólida para ajustar as contas públicas, afirma colunista do Estadão

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Por coluna Alvaro Gribel, no Estadão*

Campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou uma única medida sólida para ajustar as contas públicas - Estadão
Flávio Bolsonaro, Daniella Marques e Alfredo Gaspar em transmissão ao vivo nesta quinta-feira Foto: @flaviobolsonaro via YouTube

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), representada pela assessora Daniella Marques, ainda não apresentou uma única ideia que fique de pé para reequilibrar as contas públicas. Ainda assim, tem recebido apoio incondicional do mercado financeiro, muito menos pelas suas virtudes e muito mais pela rejeição que o presidente Lula provoca nos investidores. O pensamento, nesse caso, é binário: se Lula é ruim para a economia, qualquer opção do campo político oposto passa a ser boa.

Em entrevista ao Estadão, Marques falou em cortar dez ministérios, criar um conselho fiscal para fiscalizar os Três Poderes, implementar um teto da dívida e combater privilégios e penduricalhos. Também falou em choque de gestão nas estatais, racionalizar compras governamentais e estabelecer um pacto com o Congresso para a contenção de despesas. Tudo somado, não há nada que corrija a trajetória de alta do endividamento do governo brasileiro.

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É verdade que, em uma campanha extremamente polarizada, ninguém espera que Marques defenda abertamente medidas impopulares como o fim da indexação do salário mínimo e dos pisos com saúde e educação. Ou a privatização de empresas estatais, como Caixa, Banco do Brasil e Petrobras. Tudo isso seria explorado politicamente pelos seus adversários. Mas é curioso que essa mesma cobrança seja feita à atual equipe econômica.

A orientação de Flávio Bolsonaro para que seja feito um “revogaço” de todos os impostos “criados ou elevados” por Haddad é outra ideia sem fundamento. Primeiro, porque o governo tem déficit primário e não pode abrir mão de receitas, sob pena de agravar o quadro. Segundo, porque se houve uma agenda no governo atual que deu certo foi a recomposição da arrecadação para o patamar de 19% do PIB.

A equação proposta por ela, por óbvio, não fecha: não ataca as indexações, que colocam o gasto público em piloto automático e são a principal causa do desajuste fiscal, ao mesmo tempo que abre mão de receitas com esse suposto revogaço.

Além disso, a reforma tributária já está eliminando cinco impostos (Pis/Cofins, IPI, ICMS e ISS) para substituir por dois, no modelo de valor agregado. A família Bolsonaro se ressente de não ter conduzido essa reforma e agora ameaça destruir um ganho para o País que demorou 30 anos de discussões para ser aprovado no Congresso.

Se é verdade que o governo Lula não fez o ajuste fiscal e que o presidente tem dados os piores sinais na área, também é verdade que na campanha de Flávio Bolsonaro não há uma única medida estruturada para reequilibrar as contas públicas.

*Alvaro Gribel é repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.

**Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial deste portal.

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