Lula busca evitar desgaste e deve faltar a debate da Globo, adiando embate com Flávio Bolsonaro

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O presidente Lula da Silva, no Palácio do Planalto - Gabriela Biló - 16.mar.26/Folhapress

por Folhapress

O presidente Lula (PT) considerou a possibilidade de participar do debate da Globo, o último da campanha presidencial no primeiro turno, mas aliados do petista avaliam que a tendência é ele não comparecer. Assim, a maior probabilidade é que o embate direto com o principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fique para o segundo turno.

Embora a agenda de Lula para quinta-feira (1º), data do debate, esteja em aberto, tem prevalecido a leitura de que ele será o alvo de todos os candidatos durante o debate, tendo tempo limitado de resposta.

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Mesmo com o alerta da emissora de que pretende deixar uma cadeira vazia em horário nobre representando a ausência de Lula —ou outro candidato que venha a faltar—, a avaliação é que ouvir críticas presencialmente seria ainda mais desgastante para a imagem do petista.

Também há a avaliação de que, se Lula se ausentar, o mais provável é que as artilharias se voltem contra Flávio, tendo ele que dar explicações. O motivo é que os candidatos participantes tendem a mirar no participante mais bem colocado nas pesquisas para tentar lhe tomar parte do eleitorado.

Sinais de melhora na pesquisa também pesam para decisão. Consolidada certa liderança, o presidente teria mais a perder em caso de deslizes. Aliados lembram, por exemplo, do mau desempenho do petista no debate da Band antes do primeiro turno de 2022. E dizem que, entre participar sem estar convencido e não ir, é melhor não ir.

Lula viu seu principal adversário ganhar terreno nas pesquisas de intenção de voto nos últimos meses. Nesta segunda-feira (28), porém, os levantamentos da Nexus e da Quaest mostraram o petista oscilando positivamente.

No domingo (27), Flávio Bolsonaro disse pretende ir ao debate da Globo e que gostaria de encontrar o adversário lá.

“Meu único adversário nessa campanha é o Lula. É com ele que eu quero debater na Globo. Eu vou para esse debate só para desmascarar esse mentiroso, esse assassino da esperança do Brasil”, declarou o candidato do PL.

O tema foi abordado publicamente pelo presidente do PT, Edinho Silva, em entrevista ao canal TMC nesta segunda-feira (28). Edinho indicou que o presidente não deve comparecer. O dirigente partidário disse que Lula quer confrontar Flávio, mas em um formato de debate mais direto entre os dois.

“Ele fazer uma pergunta e ficar vinte minutos, meia hora, esperando todo mundo falar para depois ele fazer outra pergunta… Se for esse modelo é evidente que o presidente Lula não irá ao debate e vai ficar aguardando o segundo turno. Porque no segundo turno serão só os dois [Lula e Flávio]”, declarou Edinho.

O levantamento da Quaest mostrou Lula com 39% das intenções de voto para o primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 34%. Na semana anterior, eram 37% do petista contra 33% do bolsonarista. O presidente da República passou a liderar fora da margem de erro, de dois pontos perentuais.

Para o segundo turno, a Quaest mostrou os dois empatados com 42% das intenções de voto. Na edição anterior, eram 41% para o petista e 42% para o candidato de oposição.

Na Nexus, Lula passou de 40% no primeiro turno para 42%, e Flávio ficou estável em 37%. Para o segundo turno, o petista ficou estável em 46%, e o senador oscilou de 45% para 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em seu relatório, a Nexus aponta que Lula melhorou seu desempenho entre evangélicos e católicos, relacionando os movimentos à proibição das atividades das empresas de apostas on-line –conhecidas como bets– e à notícia falsa espalhada em redes sociais de que Flávio Bolsonaro retiraria o título de padroeira do Brasil da santa católica Nossa Senhora Aparecida.

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