Trump diz que acompanha as eleições do Brasil ‘de perto’ e que pleito é ‘muito importante’
por Folhapress

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha as eleições brasileiras “de perto” e que o pleito é “muito importante”.
O republicano ainda elogiou o país, disse que o Brasil é muito importante e trata-se de “um ótimo país”. “As pessoas do Brasil são fantásticas e é uma eleição muito importante”.
Na fala, o presidente dos EUA não declarou apoio a nenhum dos candidatos, mas a declaração acontece a três dias do primeiro turno das eleições e em meio ao receio do governo brasileiro de interferência de Trump no pleito, que desde que retornou à Casa Branca travou uma guerra tarifária com o Brasil e seu governo foi marcado por diversas sanções.
Na quarta (30), reportagem do jornal britânico The Guardian afirmou que o governo do republicano planeja destinar US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) em dinheiro público a grupos contrários ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de que a corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.
Em outubro do ano passado, durante as negociações após o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, o governo Trump exigiu que o país permitisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026,
Relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre “ameaças ao processo eleitoral de 2026”, como noticiou a coluna Mônica Bergamo, elevou a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições a um “nível de criticidade”.
Em julho do ano passado, ao anunciar o primeiro tarifaço contra o Brasil, Trump escreveu uma carta na qual se referiu a Bolsonaro como um “líder altamente respeitado” que era alvo de uma “caça às bruxas”. Pouco depois, Trump e Lula se encontraram nos corredores da Assembleia Geral da ONU, e a relação passou a dar sinais de distensão, com a flexibilização de tarifas e a retirada da sanção contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Neste ano, porém, a tensão voltou a crescer em diferentes frentes. Em maio, poucas semanas após a visita de Lula a Casa Branca, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval, num gesto de proximidade com um dos principais adversários de Lula na disputa presidencial. Poucos dias depois, o Departamento de Estado classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, ampliando o alcance dos instrumentos americanos contra as duas facções brasileiras.
A pressão também avançou pelo campo econômico. Em julho, após concluir uma investigação aberta no ano anterior pela Seção 301 da lei comercial americana, o governo Trump impôs uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, citando, entre outros pontos, decisões de tribunais brasileiros sobre plataformas digitais, combate à corrupção, propriedade intelectual e desmatamento. O governo Lula classificou a medida como politicamente motivada, enquanto Washington afirmou que ela respondia a práticas comerciais consideradas injustas.
Depois, outra tarifa, de 12,5%, também foi aplicada contra o Brasil em uma investigação que incluía outras 60 economias, sob pretexto de uso de trabalho forçado.
A escalada chegou também ao terreno diplomático e eleitoral. Em julho, o governo brasileiro negou vistos a dois altos funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar a Brasília; segundo autoridades ouvidas pelo jornal Washington Post, a missão incluía questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Em agosto, os Estados Unidos responderam revogando o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, numa medida que o Departamento de Estado descreveu como recíproca.
Outro foco de atrito foi a criação do Escudo das Américas, iniciativa de Trump que passou a reunir governos da região em torno de cooperação econômica, segurança e coordenação diplomática, mas deixou o Brasil de fora.
Em setembro, Trump reuniu os integrantes do grupo em Nova York, durante a Assembleia, defendeu o uso de sanções e de maior coordenação regional contra organizações classificadas pelos EUA como narcoterroristas.
Após o encontro, 14 países da América Latina e Caribe assinaram uma declaração conjunta classificando o PCC e o CV, junto a outros 22 grupos, como organizações narcoterroristas. Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que, caso ele seja eleito, a intenção é levar o Brasil a integrar o bloco.


