Lula chama ‘tesouraço’ proposto por Flávio para economia de ‘aberração’
Lula
por UOL
O presidente Lula (PT) chamou o “tesouraço” proposto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a economia brasileira de “aberração”. A declaração ocorreu em uma coletiva de imprensa no início da noite desta quinta-feira (8).
Os dois vão disputar o segundo turno no próximo dia 25 de outubro; no primeiro turno, Flávio terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%.
“E uma outra coisa que eu queria conversar com os nossos senadores, com os nossos parlamentares, e que tem levado a uma aberração do ponto de vista de proposta política, é a ideia do tesouraço” —- Presidente Lula à imprensa.
Nesta quinta-feira (8), durante todo o dia, aliados da campanha e o próprio presidente se manifestaram nas redes sociais, afirmando que o “tesouraço” comprometeria programas como o Farmácia Popular e Pé-de-Meia. Ao longo do discurso, Lula enfatizou que, no período de transição entre o governo de Jair Bolsonaro (PL) e o dele, não encontrou recursos financeiros para os programas sociais e para as áreas como educação e infraestrutura.
“Quando eu cheguei à presidência, em 2023, a gente teve que fazer uma PEC da transição antes de eu tomar posse, e eu vou dar o que significa ‘tesouraço’ para essa gente. Corte de 59% no Farmácia Popular foi o que eu encontrei no orçamento para eu começar a trabalhar. Corte de 50,7% para os mais médicos. Corte de 45% para a prevenção e controle do câncer. Corte de 97% na verba para infraestrutura escolar. Eu sei o corte que eles vão propor e é importante que a sociedade fique atenta” —- Lula sobre os recursos do governo no fim da gestão de Jair Bolsonaro.
Ainda falando sobre a situação herdada do governo Bolsonaro, o presidente citou casas inacabadas do projeto Minha Casa Minha Vida e o número de remédios oferecidos hoje nas farmácias populares.
“Nós encontramos 87 mil casas paralisadas no tempo da Dilma, casas já começadas a construir. Falar em corte significa cortar o remédio que nós lhes damos, 41 medicamentos de uso contínuo para as pessoas que usam esse remédio. Então, é muito importante a gente ficar atento para não permitir que a sociedade brasileira seja enganada” —- Presidente Lula.
Governo quer aprovar fim da 6×1 antes do segundo turno
O presidente Lula também falou sobre o objetivo de votar o fim de escala 6×1 no Senado ainda na semana que vem. O texto foi aprovado em maio na Câmara dos Deputados e, após ser analisado em comissões do Senado, chegou ao plenário da casa essa semana.
“Eu pedi para os nossos senadores e os nossos parlamentares para que a gente mantenha viva a força de trabalho para que a gente possa garantir que, na semana que vem, a gente definitivamente vai votar a PEC do fim da escala 6×1. A gente vai derrotar uma jornada de trabalho que já perdura há décadas e que faz com que o trabalhador tenha muito pouco tempo para descansar. Então, nós queremos dizer ao povo brasileiro que nós vamos conseguir aprovar uma lei que garanta ao trabalhador e à trabalhadora, que nós vamos conseguir aprovar uma lei que garanta o direito de ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias” —- Presidente Lula sobre fim da escala 6×1.
Candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro não declarou publicamente um voto favorável à redução da jornada de trabalho. Em seu plano de governo, ele defende que haja uma negociação entre empresa e funcionário e que o que for acordado entre as partes, prevaleça sobre a legislação trabalhista atual.
Na conversa com os jornalistas, Lula foi questionado sobre os números divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Datafolha. No levantamento, ele aparece com 48%, numericamente atrás de Flávio, com 52%. A diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. “Eu não avalio pesquisa, não trabalho assim”, afirmou. “Eu trabalho sabendo que eu fiz ter mais votos que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso. E a minha obrigação é trabalhar, para ganhar esses votos.”


