Deputados do PT pedem ao STF investigação sobre Kassio por ligações com Master

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por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

Homem de terno azul e gravata está de perfil, olhando para a esquerda, em frente a uma parede cinza lisa.
O Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, chega para a cerimônia de verificação dos sistemas eleitorais e emissão de zerésima – Gabriela Bilo – 03.out.2026/Folhapress

Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma denúncia contra o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pedindo a abertura de investigação sobre possíveis vínculos dele e de pessoas próximas com o grupo econômico do Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O documento reúne mensagens extraídas pela Polícia Federal de celulares de Vorcaro, registros processuais e informações divulgadas pela imprensa. Os parlamentares apontam sete núcleos de fatos que, segundo eles, justificam a apuração de possíveis vantagens oferecidas ao ministro enquanto ele participava de julgamentos de interesse econômico do banco.

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Entre os episódios citados estão mensagens que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados ao filho do ministro, Kevin de Carvalho Marques; uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025; e uma viagem de avião particular de Brasília a Maceió, em novembro daquele ano, custeada por uma advogada que atua para o Banco Master.

Procurado pela coluna, Kassio Nunes Marques disse que “nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro”.

“O filho do ministro nunca recebeu dinheiro do Banco Master, e Daniel Vorcaro nunca esteve na casa do ministro. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros”, acrescenta a nota.

A iniciativa dos deputados petistas ocorre em meio à pressão sobre Kassio no TSE. Como mostrou a coluna, integrantes do PT estudam pedir a suspeição do ministro em processos eleitorais, sob a acusação de favorecimento a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O magistrado determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG). A decisão foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.

Um dos episódios citados na representação envolve o julgamento, em outubro de 2024, de um processo relacionado à destilaria Alcídia. Kassio votou a favor de uma empresa credora, em decisão que beneficiava interesses econômicos do Banco Master. Após o julgamento, o diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, escreveu a Vorcaro: “Ganhamos Alcídia”. A defesa do ministro afirma que não havia impedimento para sua participação.

A petição também cita mensagens que associariam Kevin a pagamentos mensais de R$ 500 mil. Os registros, porém, não comprovam que os valores tenham sido pagos. O escritório do filho do ministro recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, que, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Master no período. Kevin afirma que prestou serviços tributários à Consult e nega ter trabalhado para o banco.

Outro ponto é um contrato de até R$ 427 milhões entre o Master e o escritório de Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro registram que assessores chamavam Newton Ramos e Camilla Ramos de “Turma do KN”. O valor seria referente ao pagamento de honorários, em caso de vitória, para ações que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro. O escritório de Camilla Ramos afirma ter um contrato formal com o banco, mas diz não ter recebido honorários fixos ou de êxito.

A representação menciona ainda que Vorcaro bancou aluguel de uma mansão no Joá, no Rio, durante o Carnaval de 2025. Segundo mensagens citadas no documento, a casa ficaria à disposição de um ministro identificado como “KN” , mas os registros não comprovam quem pagou pela locação. Os parlamentares também relatam um suposto encontro com uma garota de programa, negado por Nunes Marques, e a viagem de Brasília a Maceió em avião operado por uma empresa ligada à gestão de bens de Vorcaro. O gabinete confirmou a viagem, e Camilla Ramos teria arcado com as despesas.

Os deputados questionam ainda o mandado de segurança que pedia a instalação de uma CPI do Banco Master no Senado. A ação foi distribuída a Kassio em março, e a liminar ainda não foi decidida.

Os petistas pedem que o STF submeta o caso ao plenário ou o distribua por sorteio a um ministro que não tenha declarado impedimento ou suspeição em processos relacionados ao Banco Master. Também solicitam o encaminhamento do caso à PGR (Procuradoria-Geral da República).

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