Valdemiro Santiago faz culto evangélico ao lado de advogado ligado a Trump

0

por UOL

O advogado Martin De Luca (esq.), que defende empresas de Donald Trump, e o Apóstolo Valdemiro Santiago (dir.)
O advogado Martin De Luca (esq.), que defende empresas de Donald Trump, e o Apóstolo Valdemiro Santiago (dir.)

O apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), realizou um culto em São Paulo, no domingo (11), ao lado de Martin De Luca, advogado que representa a Trump Media, empresa de comunicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante a celebração, o religioso elogiou o presidente americano e mencionou a “democracia verdadeira” nos Estados Unidos.

Como foi o culto

Em um dos momentos do culto, Valdemiro apresentou o convidado aos fiéis. “Hoje eu tenho a honra de receber aqui o advogado de Donald Trump, Dr. Martin De Luca”, afirmou. Na sequência, brincou com o nome do advogado e o relacionou a Martin Luther King Jr., pastor batista e ativista norte-americano que liderou a luta pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos e recebeu o Nobel da Paz em 1964. “Até brinquei com ele aqui: é o Martin Luther King”, afirmou.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

O religioso também declarou ser admirador de Trump e associou o presidente estadunidense à defesa da justiça e da ordem. “Eu sou fã dele; ele é pela Justiça. Pela ordem. God bless Donald Trump and America”, disse, em inglês. Em seguida, afirmou que os Estados Unidos praticam “a democracia verdadeira” e questionou: “A Venezuela está em paz agora, não está?”, em referência à intervenção militar norte-americana no país latino em 3 de janeiro de 2026.

Em outro momento, Valdemiro disse que pretende voltar aos EUA no próximo ano e pedir “limpeza” no Brasil. “E ele [De Luca] vai me levar pra dar um abraço no Donald Trump”, afirmou. Na sequência, dirigiu-se ao presidente americano: “Quando eu for lá eu vou falar: ‘Presidente Trump, fica de olho, põe os helicópteros para funcionar, para limpar'”.

Quem é Martin De Luca

Martin De Luca é advogado norte-americano e representa a plataforma de vídeos Rumble e a Trump Media & Technology Group. O jurista ganhou destaque em agosto de 2025, quando a Polícia Federal citou conversas entre ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro em um relatório sobre as investigações relacionadas às sanções dos EUA contra o Brasil. À época, Bolsonaro pediu orientações ao advogado sobre como se posicionar publicamente sobre o tarifaço.

De Luca representa a Rumble e a Trump Media em processos nos EUA contra Alexandre de Moraes, ministro do STF. Em abril de 2026, criticou a atuação do ministro ao comentar um relatório do Congresso americano. Em junho, contestou a interpretação do governo brasileiro sobre uma decisão da Justiça da Flórida, segundo o portal Metrópoles.

Oração e política

As referências políticas também apareceram em outros momentos do culto de domingo. No início da cerimônia, tradicional momento de oração para abertura, o apóstolo — sentado em círculo com outros missionários, diante de uma bandeira do Brasil — afirmou que o país havia passado por livramentos recentes e pediu que Deus continuasse a “purificar” e “limpar” a nação. Em outro momento, Valdemiro interrompeu a oração para agradecer aos fiéis pela eleição de nove deputados federais ligados à igreja.

A aproximação entre lideranças da Igreja Mundial e a política já foi objeto de processos na Justiça Eleitoral. Em 2018, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) julgou um caso envolvendo um evento religioso realizado em Belo Horizonte em 4 de outubro de 2014, na véspera das eleições daquele ano. Segundo o tribunal, o evento, conduzido por Valdemiro, teria sido usado para favorecer candidaturas, com pedido explícito de votos e distribuição de material de campanha. A decisão reconheceu abuso do poder econômico e determinou sanções aos envolvidos.

Em decisões mais recentes, porém, o TSE tem reiterado que a participação de lideranças religiosas em atividades políticas não configura, por si só, abuso eleitoral. O tribunal reitera que é necessária a comprovação de “condutas graves” que se enquadrem nas hipóteses previstas na legislação.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow