Motta diz que centro precisa entender como sobreviver na ‘selva política’ após onda de direita
por Folhapress

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (13) que partidos de centro precisam entender como sobreviver ao que ele chama de “selva política” após a direita engolir cadeiras do grupo no Congresso. O parlamentar quer permanecer no comando da Casa no próximo ano e recebeu o apoio do líder do PSD, Antônio Brito (BA).
“Temos que olhar para o resultado da eleição e tentar entender como será o nosso futuro. Compreendendo o que foi o resultado das urnas, legitimado pela vontade popular, mas que, a partir dali, como nós, que vamos estar aqui a partir de fevereiro, vamos sobreviver nessa selva política e nesse país tão radicalizado”, disse Motta.
O presidente da Câmara apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez campanha para o petista na Paraíba e chegou a usar um boné com o nome do petista. Como mostrou a Folha, o favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e a desempenho do PL na eleição para o Congresso ameaçam sua recondução no comando da Casa.
A Casa vai eleger um novo presidente em fevereiro de 2027, quando os novos deputados assumem o mandato. Motta defendeu a união dos partidos do seu espectro político, indicando pedido de apoio à sua reeleição na Câmara.
“Quando esse centro político se junta, esse centro político decide o que será aprovado, o que será pautado e o que será feito aqui no Parlamento”, afirmou ele, após a conversa com o líder do PSD. Ambos foram adversários na última eleição para o comando da Casa.
“Precisamos, mais do que nunca, estar juntos. Olhando para o resultado da eleição no dia 2 [de fevereiro], é peremptório para nós, eu diria até que é vital, nós estarmos juntos”, disse Motta. “Naturalmente, pelo fato de eu ter direito à reeleição enquanto presidente da Casa, caberá a mim individualmente construir a viabilidade dessa reeleição”, afirmou.
O PL elegeu 121 deputados, garantindo a maior bancada a partir de 2027. Como também ocupa o maior número de cadeiras do Senado, o partido pretende assumir o controle pelo menos uma das Casas e ter gerência direta na escolha da outra.
O centrão, grupo de Motta, tinha 140 deputados antes das eleições e passará para 128 na próxima legislatura. Outras siglas dessa ala, como PSD e MDB, também perderão cadeiras a partir de 2027.
O Republicanos tem 41 deputados, e o PSD tem 43. Motta afirmou que a declaração de apoio seria reconhecida no futuro, na formação de um grande bloco de partidos de centro.
“Nós estamos começando a conversar com os partidos de centro para poder ver qual o tamanho que esse bloco vai ficar, para que, a partir daí, o PSD possa ter o seu tamanho e reconhecimento, de ter sido o primeiro partido a querer fazer parte desse bloco. E nós sabemos que na política é assim: quem chega primeiro bebe água mais limpa”, afirmou.


