China acena à direita latino-americana às vésperas do segundo turno no Brasil

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por Folhapress

Três pessoas sentadas lado a lado em uma mesa de reunião. Homem ao centro usa terno escuro, gravata laranja e óculos, olhando à frente. Homem à esquerda veste terno escuro e gravata azul, olhando para o lado. Mulher à direita escreve em caderno, vestindo terno escuro e camisa branca. Garrafas de água e microfones estão sobre a mesa.
O encarregado de Pequim para a América Latina, Qiu Xiaoqi – AFP

Em um aceno à direita latino-americana, o responsável da China pelos assuntos da região, Qiu Xiaoqi, afirmou na segunda-feira (12) que Pequim desenvolverá relações amistosas com todos os países latinos, independentemente do crescimento de governos de direita e de seu alinhamento com os Estados Unidos.

A fala foi feita em um momento em que Flávio Bolsonaro (PL) lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência do Brasil, mas a autoridade chinesa não citou nomes de chefes de Estado ou candidatos, segundo o jornal estatal Global Times.

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“A China tem aderido consistentemente ao princípio da não interferência em assuntos internos e respeita as escolhas feitas pelos povos dos países latino-americanos”, disse durante evento sobre o relacionamento do país asiático com a América Latina.

Qiu afirmou que Pequim está disposta a ter trocas amistosas com todos os países da América Latina e do Caribe, uma vez que não traça linhas ideológicas. A ressalva é o respeito ao princípio de “uma só China”, que consiste no reconhecimento de Taiwan como parte inalienável do território chinês.

A ilha, que possui um presidente democraticamente eleito e um sistema político e econômico próprio, afirma ser independente. Países que reconhecem a soberania taiwanesa não têm relações diplomáticas com a China.

Um exemplo é o Paraguai, o único país da América do Sul a reconhecer a ilha e, com isso, abrir mão das trocas diplomáticas com Pequim. Em maio, o presidente Santiago Peña visitou Taipé e se encontrou com o líder do território, Lai Ching-te. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China protestou.

O porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, afirmou que a China “se opõe firmemente e condena veementemente as ações do Paraguai” e que “certos políticos paraguaios” se tornam “peões das forças separatistas pró-independência de Taiwan”.

Nesta segunda, Pequim também impôs sanções contra o ministro da Informação e Comunicação do país latino, Gustavo Villate, determinando o congelamento de seus bens e imóveis na China e proibindo a emissão de visto para o político no continente, em Hong Kong e em Macau.

O Brasil reconhece o princípio de “uma só China”, definido por Pequim como a “linha vermelha” das relações diplomáticas com outras nações.

O futuro do relacionamento entre Brasil e China virou alvo de dúvidas com a liderança de Flávio nas pesquisas eleitorais e seu alinhamento com Donald Trump, protagonista de uma disputa tecnológica, política e comercial com Pequim. O candidato tem afirmado que terá postura pragmática com o país asiático, ao passo que ataca o alinhamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a China.

Como mostrou a Folha, Pequim está disposta a desenvolver a agenda bilateral com o Brasil independentemente de quem seja eleito. Em resposta à pergunta da reportagem sobre como o regime vê a parceria estratégica entre os países diante da possível eleição de Flávio, a chancelaria afirmou que “a China está disposta a trabalhar com o lado brasileiro para que as relações avancem de forma estável e duradoura”.

“Nos 52 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, independentemente de como mude o cenário internacional, as relações entre China e Brasil sempre mantiveram uma boa dinâmica de desenvolvimento”, disse, em nota. “A amizade sino-brasileira se tornou um amplo consenso entre todos os setores dos dois países, e a cooperação bilateral beneficia de forma concreta os povos de ambos.”

Antes, o porta-voz da chancelaria tinha afirmado que “a China mantém o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países” e desejado “eleições tranquilas e sem incidentes” ao responder a uma pergunta sobre a pressão americana em diferentes áreas, em um momento em que o Brasil se preparava para o primeiro turno.

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