Caso Guilherme e Ana Luiza: audiência ouve PMs e processo terá nova etapa em março de 2027

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por TH+ SBT

A Justiça da Paraíba realizou nesta quarta-feira (14) mais uma etapa da audiência de instrução do processo que apura as mortes de Guilherme Pereira Rodrigues, de 18 anos, e Ana Luiza Bandeira da Silva, de 17, ocorridas durante uma abordagem policial em João Pessoa, em novembro de 2024.

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O policial militar Tiago Almeida Filho responde como réu por duplo homicídio qualificado. O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri de João Pessoa.

Segundo familiares das vítimas que acompanharam a audiência, novos depoimentos foram colhidos nesta quarta, mas a fase de instrução ainda não foi concluída. Como dois policiais militares que deveriam ser ouvidos não teriam comparecido, uma nova audiência foi marcada, segundo a família, para 8 de março de 2027.

Policial foi ouvido nesta quarta

Entre as testemunhas ouvidas nesta quarta-feira está o policial militar Willame Feliciano da Silva, que já constava entre os agentes convocados para prestar depoimento nesta etapa do processo.

Após a audiência, Joselito Mendonça, pai de Ana Luiza, afirmou em entrevista à TH+ SBT que o policial teria relatado durante o depoimento a ocorrência de um disparo acidental.

A declaração, no entanto, deve ser tratada neste momento como relato do familiar sobre o conteúdo da audiência. Ainda não há acesso público, nesta reportagem, à íntegra do depoimento que permita estabelecer em que circunstâncias o disparo teria ocorrido ou se ele foi relacionado diretamente ao tiro que atingiu Guilherme.

A investigação da Polícia Civil apontou anteriormente Tiago Almeida Filho como o policial que teria efetuado o disparo que atingiu Guilherme na cabeça. A defesa contesta a atribuição de autoria, e policiais ouvidos no inquérito haviam negado ter atirado contra o jovem.

O que aconteceu com Guilherme e Ana Luiza

Guilherme e Ana Luiza morreram na madrugada de 30 de novembro de 2024, quando a motocicleta em que estavam colidiu com um poste na região de Muçumagro, em uma via de acesso à Praia do Sol, na Zona Sul de João Pessoa.

A versão inicialmente divulgada após a ocorrência apontava que Guilherme teria perdido o controle da motocicleta durante uma tentativa de fugir de uma abordagem policial.

A família passou a questionar essa versão e cobrou novas investigações.

Exames realizados posteriormente identificaram que Guilherme havia sido atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça antes da colisão. Também foram encontradas marcas compatíveis com passagem de projétil no capacete utilizado por ele.

Ana Luiza não apresentava fragmentos de munição no corpo. Segundo os elementos reunidos na investigação, ela morreu em decorrência dos ferimentos provocados pelo impacto da colisão.

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil indiciou Tiago Almeida Filho, que posteriormente se tornou réu no processo.

Audiência começou em maio

A primeira etapa da audiência de instrução ocorreu em 11 de maio deste ano.

Na ocasião, cinco testemunhas foram ouvidas, entre elas familiares das vítimas, mas a audiência não foi concluída e o réu não chegou a ser interrogado.

Segundo Joselito, uma continuação chegou a ser marcada para 29 de julho, mas não avançou após a defesa apresentar documentação relacionada ao estado de saúde do advogado.

Nesta quarta-feira, o processo voltou à fase de coleta de depoimentos. A família afirma que, com a ausência de outros dois policiais que ainda precisam ser ouvidos, a conclusão da instrução foi novamente postergada.

“Não vamos desistir”, dizem familiares

Após a audiência, familiares falaram sobre o impacto emocional provocado pela sucessão de etapas judiciais.

Joselito afirmou que cada nova audiência faz a família reviver os acontecimentos, mas disse que continuará acompanhando o processo e cobrando uma resposta judicial.

A mãe de Guilherme, Aldenice, também afirmou que a família seguirá buscando a responsabilização por meio da Justiça.

“Nós não iremos desistir. Nós iremos lutar por justiça até o fim”, afirmou.

Ela disse que a proximidade dos dois anos das mortes torna as audiências especialmente difíceis para as famílias.

Guilherme trabalhava como mecânico de motocicletas. Ana Luiza tinha 17 anos e estudava na área de enfermagem.

Processo ainda não tem julgamento definitivo

Tiago Almeida Filho é réu, mas não há até o momento sentença condenatória contra ele.

A atual fase serve para produção de provas, coleta de depoimentos e interrogatório dos envolvidos antes de a Justiça decidir os próximos passos do processo.

Como se trata de acusação de crime doloso contra a vida, caberá posteriormente ao juízo analisar se existem elementos para pronunciar o réu e submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Até que essa decisão seja tomada, não é possível afirmar que o policial será levado a júri popular.

A nova etapa da audiência, segundo os familiares, está marcada para 8 de março de 2027.

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