Professor do Cariri paraibano ganha prêmio nacional com projeto para captar água da chuva

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por TH+ SBT 

Um projeto desenvolvido em uma escola pública de Caraúbas, no Cariri da Paraíba, para melhorar a captação e filtragem da água da chuva conquistou um prêmio nacional de inovação na educação. O professor Alef Bruno dos Santos, de 32 anos, é um dos três vencedores do III Prêmio Rede CpE na Sala de Aula e receberá R$ 5 mil.

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Alef trabalha na Escola Cidadã Integral Serveliano de Farias Castro e orientou estudantes do ensino médio na criação de um telhado em formato de V, desenvolvido para concentrar a água da chuva em uma calha central e direcioná-la para um sistema de filtragem e armazenamento.

A ideia nasceu de um problema cotidiano de moradores do semiárido: a escassez de água e a necessidade de aproveitar melhor os períodos de chuva.

A cerimônia de premiação será realizada no sábado (17), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, durante o IX Encontro Anual da Rede Nacional de Ciência para a Educação (Rede CpE).

Estudantes compararam dois tipos de telhado

O desenvolvimento da solução começou pela observação das casas da região.

Os estudantes partiram da hipótese de que parte da água das chuvas era perdida durante o escoamento pelos telhados convencionais. A turma então construiu dois protótipos em pequena escala: um reproduzindo um modelo tradicional e outro com o formato em V idealizado pelo grupo.

Os dois receberam a mesma quantidade de água durante os testes. Segundo Alef, o modelo desenvolvido pelos estudantes conseguiu captar um volume maior.

O sistema utiliza uma calha central para direcionar a água até a etapa de filtragem.

O filtro criado pelos alunos tem camadas de cascalho, areia e carvão ativado, além de materiais destinados à retenção de partículas. A proposta é manter baixo custo e facilitar a manutenção pelos próprios moradores antes que a água seja encaminhada para cisternas.

Problema vivido pela comunidade virou tema de ciência

O trabalho integra o projeto Sociobiodiversidade e Culturas Vivas, iniciado em 2024 com atividades relacionadas à desertificação da Caatinga.

No ano seguinte, relatos sobre a falta de água na região passaram a orientar parte das atividades desenvolvidas pelos estudantes.

Em vez de trabalhar o conteúdo científico apenas de forma teórica, a proposta passou a investigar um problema enfrentado pelas próprias famílias da comunidade.

Em experiência anterior divulgada pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), moradores relataram situações como a necessidade de esperar pelas chuvas, percorrer distâncias em busca de água ou recorrer à perfuração de poços.

Projeto já havia recebido reconhecimento em 2025

A solução desenvolvida em Caraúbas já havia ganhado projeção nacional antes da atual premiação.

Em 2025, o trabalho intitulado “Tecendo Saberes: Inspirações Tradicionais para Soluções Sustentáveis na Captação e Tratamento da Água da Chuva” ficou entre os dez finalistas do Prêmio Nacional Liga STEAM. Na ocasião, 31 estudantes da 3ª série do ensino médio participaram do projeto coordenado por Alef.

O prêmio anunciado agora é outro reconhecimento.

Alef está entre os três vencedores nacionais do III Prêmio Rede CpE na Sala de Aula, voltado a práticas pedagógicas que aproximem ciência, sustentabilidade e problemas concretos enfrentados pelos estudantes.

Além do professor paraibano, foram selecionadas experiências desenvolvidas por educadoras de Manaus, no Amazonas, e do Rio de Janeiro.

Vencedores recebem R$ 5 mil

Cada um dos três professores premiados receberá R$ 5 mil. A premiação também inclui financiamento para a participação presencial no IX Encontro Anual da Rede CpE.

O encontro ocorre nesta sexta-feira (16) e no sábado (17), no Museu do Amanhã, e tem como tema “Sustentabilidade Social e Ciência para Educação”.

Segundo a Rede CpE, a premiação busca aproximar conhecimentos científicos da realidade das escolas e compartilhar experiências que possam ser adaptadas e replicadas em outras comunidades.

No caso de Caraúbas, o reconhecimento nacional surgiu de uma questão diretamente ligada ao cotidiano do semiárido: como aproveitar melhor a pouca água disponível durante os períodos de chuva.

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