Rodovias que cortam a Paraíba entram em plano de concessão até 2030; veja o que já se sabe

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por TH+ SBT 

Trechos das BRs 104 e 116 que passam pela Paraíba serão incluídos em estudos para uma futura concessão à iniciativa privada. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério dos Transportes assinaram contrato para estruturar projetos envolvendo 3.137 quilômetros de rodovias federais em nove estados.

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A inclusão das estradas paraibanas não significa que elas já tenham sido concedidas. Nesta etapa, o BNDES vai elaborar os estudos técnicos, econômicos, ambientais e jurídicos necessários para avaliar a viabilidade dos projetos e definir como eventuais concessões poderão funcionar.

Ainda não foram divulgados valores de investimento, tarifas de pedágio, localização de praças de cobrança ou os limites quilométricos exatos dos segmentos que serão transferidos à iniciativa privada.

A previsão do governo federal é concluir a estruturação dos projetos de concessão até o fim de 2030.

Quais rodovias da Paraíba estão no projeto?

O pacote reúne cinco grandes corredores.

No caso da Paraíba, são dois:

BR-116: corredor de 473 quilômetros, envolvendo Ceará, Paraíba e Pernambuco;

BR-104: corredor de 494 quilômetros, abrangendo Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

O comunicado do BNDES não detalha quanto desses 967 quilômetros corresponde especificamente ao território paraibano.

BR-116 tem apenas 13,4 quilômetros na Paraíba

No caso da BR-116, é possível dimensionar melhor o impacto no estado.

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a rodovia possui 13,4 quilômetros dentro da Paraíba, todos na região de Cachoeira dos Índios, no Alto Sertão, próximo à divisa com o Ceará.

O trecho vai do km 0 ao km 13,4 e recebe aproximadamente mil veículos por dia, conforme dados divulgados pelo DNIT em intervenção realizada em 2023.

A BR-116 é uma das principais ligações rodoviárias entre o Nordeste e as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com forte circulação de transporte de cargas. Na Paraíba, o curto segmento está ligado principalmente ao fluxo interestadual e ao escoamento da produção da região de Cajazeiras.

Ainda não foi informado se os 13,4 quilômetros paraibanos serão incorporados integralmente à futura concessão.

BR-104 atravessa importante corredor do Agreste

A situação da BR-104 tem impacto territorial maior na Paraíba.

O Sistema Nacional de Viação identifica o trecho paraibano da rodovia entre as divisas com o Rio Grande do Norte e Pernambuco. A estrada passa por áreas do Curimataú e Agreste, incluindo trechos próximos a municípios como Barra de Santa Rosa, Remígio, Campina Grande e Queimadas.

Campina Grande é um dos pontos de maior circulação do corredor. A BR-104 cruza a BR-230 e segue em direção a Queimadas e Pernambuco, formando uma rota relevante para o transporte entre a Paraíba e o polo comercial do Agreste pernambucano.

O DNIT já desenvolve, paralelamente, estudos de adequação do corredor da BR-104 entre Cuité e a divisa entre Paraíba e Pernambuco. Essa iniciativa é anterior e não deve ser confundida automaticamente com o novo projeto de concessão.

O BNDES ainda não divulgou quais municípios ou quilômetros da BR-104 serão efetivamente incluídos no modelo que será estruturado.

Vai ter pedágio?

É possível que uma futura concessão envolva cobrança de pedágio, mas não há tarifa nem praça definida neste momento.

O próprio Ministério dos Transportes informou que a estruturação dos projetos estudará tecnologias destinadas a reduzir o custo do pedágio, além da implantação de internet 5G ao longo dos corredores.

Essa declaração indica que a cobrança será considerada na modelagem, mas as condições dependem dos estudos de viabilidade e das etapas posteriores do processo.

Somente depois da estruturação será possível conhecer pontos como extensão efetivamente concedida, obras obrigatórias, prazo contratual, tarifas, localização dos pontos de cobrança e critérios para reajustes.

O que uma concessão pode mudar?

Atualmente, esses trechos são administrados pelo poder público federal, principalmente por meio do DNIT, responsável por serviços como manutenção, conservação, sinalização e execução de obras.

Em uma concessão, uma empresa ou consórcio privado assume por determinado período obrigações previstas em contrato, como manutenção da pista, atendimento aos usuários e realização de investimentos.

Em contrapartida, o concessionário pode obter receita por meio de pedágios, conforme as regras estabelecidas no edital e no contrato.

Isso não significa que a estrada deixa de pertencer ao governo federal. A rodovia permanece patrimônio público, mas sua operação e manutenção passam a ser realizadas pela concessionária durante o prazo contratual.

Por que essas rodovias foram escolhidas?

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco e o Ministério dos Transportes analisam a malha federal desde 2025 em busca de trechos considerados estratégicos.

A avaliação priorizou corredores localizados em regiões que apresentam crescimento econômico, especialmente ligado à produção agrícola, mas ainda possuem déficit de infraestrutura.

Além das BRs 104 e 116, o pacote contempla as BRs 153, 010 e 226 e alcança Tocantins, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O anúncio do BNDES também menciona o Rio Grande do Norte entre os estados abrangidos pelo conjunto de projetos.

O que acontece agora?

A assinatura realizada na quarta-feira (14) dá início à fase de estruturação.

É nela que serão produzidos estudos de demanda de tráfego, engenharia, investimentos necessários, riscos, impactos socioambientais e viabilidade econômico-financeira.

Somente posteriormente poderão ocorrer outras etapas, como discussão regulatória, consultas e audiências públicas, análise dos órgãos competentes e eventual preparação de edital e leilão.

Por isso, motoristas paraibanos não começarão a pagar pedágio agora, e não há alteração imediata na administração das BRs 104 e 116.

O cronograma informado pelo BNDES prevê que os projetos sejam estruturados até o fim de 2030, mas ainda não há data divulgada para eventual leilão dos trechos paraibanos.

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