Mensagens indicam que Vorcaro torceu pela morte de Lula
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com barba e bigode aparados após a prisão do banqueiro em São Paulo, no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana da capital paulista - Divulgação Polícia Federal/Divulgação Polícia Federal
Por Plínio Teodoro, na Revista Fórum
Tratado por Flávio Bolsonaro (PL) como “irmão”, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, desejou a morte de Lula uma semana após ser recebido pelo presidente, em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Na ocasião, Lula teria dito ao banqueiro que os problemas dele seriam resolvidos pelo Banco Central e pela Justiça, barrando qualquer tentativa de cooptação.
Segundo Lauro Jardim, em nota neste domingo (18) no jornal O Globo, “mensagens extraídas pela PF do celular do dono do Banco Master indicam que o presidente não conquistou sua simpatia”.
Em 11 de dezembro de 2024, o dono do Banco Master encaminhou ao sócio Augusto Lima um link de uma reportagem sobre a cirurgia que Lula havia realizado no dia anterior, 10 de dezembro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Ao compartilhar a notícia, o banqueiro escreveu: “Na traaaveeeee”.
A expressão, normalmente utilizada para descrever uma situação em que algo quase acontece, sugere que Vorcaro lamentou o desfecho da emergência médica, porque o presidente recebeu atendimento a tempo e sobreviveu.
Lula correu risco de morte
O episódio mencionado pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, remete à grave emergência médica enfrentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2024, quando precisou ser submetido a uma cirurgia de urgência para drenar um hematoma intracraniano.
O problema teve origem em uma queda sofrida por Lula no banheiro do Palácio da Alvorada, em Brasília, no dia 19 de outubro de 2024. Na ocasião, o presidente bateu a cabeça, sofreu um ferimento na região da nuca e precisou levar pontos. Exames iniciais não indicaram a necessidade de cirurgia, mas ele passou a ser acompanhado por médicos.
Quase dois meses depois, o quadro se agravou.
Na noite de 9 de dezembro de 2024, Lula apresentou fortes dores de cabeça e foi submetido a exames no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Uma ressonância magnética identificou uma hemorragia intracraniana decorrente do traumatismo sofrido em outubro.
O presidente foi transferido às pressas para a unidade do Sírio-Libanês em São Paulo, onde passou por uma cirurgia na madrugada de 10 de dezembro. O procedimento teve como objetivo drenar o sangue acumulado entre o cérebro e a membrana que o reveste, condição conhecida como hematoma subdural.
Embora os médicos tenham informado que a cirurgia transcorreu sem intercorrências, o quadro era potencialmente fatal: a expansão do hematoma poderia provocar compressão cerebral e complicações neurológicas graves.


