Indicado por Flávio Bolsonaro para ministro da Saúde diz ser “contra colocar mais dinheiro no SUS”

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao chegar para evento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) - Adriano Machado -12.mai.26/Reuters

Por Henrique Rodrigues, na Revista Fórum

A poucos dias do desfecho do processo eleitoral, a estratégia social da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) volta a gerar intensa controvérsia no debate público nacional. Um novo posicionamento vindo da cúpula da campanha conservadora acendeu o sinal de alerta entre especialistas, gestores da área médica e defensores da saúde pública universal no Brasil.

Em gravação que passou a circular com forte apelo nas redes sociais, registrada num evento do setor em 2019, o médico oftalmologista Claudio Lottenberg, anunciado oficialmente por Flávio Bolsonaro como o nome escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo, manifestou forte oposição ao aumento de aportes orçamentários diretos para o Sistema Único de Saúde (SUS). As declarações provocaram imediata reação de entidades do setor, que veem na diretriz um risco real de enfraquecimento da maior rede pública de atendimento médico gratuito do mundo.

Aposta na privatização e críticas ao financiamento público

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Na visão exposta pelo cotado para a pasta ministerial, a tese recorrente de que o sistema estatal sofre por falta de investimentos financeiros é uma percepção errônea. Lottenberg defende que o gargalo do atendimento não reside no volume de recursos repassados pela União, mas sim em falhas de gestão e no desperdício verificado tanto no ambiente público quanto no segmento privado.

A linha mestra defendida pelo especialista baseia-se na retração da presença do Estado por meio da expansão dos convênios de saúde e da oferta de planos particulares. Sob a lógica apresentada pela campanha do PL, o fortalecimento do mercado de trabalho e o crescimento econômico deveriam empurrar a população para a contratação de serviços privados, aliviando gradativamente a carga sobre o SUS e permitindo a redução de seu tamanho e alcance orçamentário.

Para operacionalizar essa transição, Lottenberg apoia a ampliação massiva de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a transferência da gestão de unidades públicas para Organizações Sociais de Saúde (OSS), modelo que ajudou a consolidar na capital paulista em 2005, quando ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde na administração de José Serra.

Reações e o histórico de divergências internas

A postura do indicado ao Ministério da Saúde contrasta com a realidade vivenciada pela maioria das famílias brasileiras, cuja subsistência e acesso a tratamentos complexos dependem exclusivamente do atendimento prestado pelo Estado. Especialistas em sanitarismo e finanças públicas sustentam que a subfinanciação do SUS é um fato amplamente documentado, e que transferir a responsabilidade da assistência à saúde para o setor de planos privados pode aprofundar as desigualdades sociais e deixar desamparadas as parcelas mais vulneráveis da sociedade.

A indicação de Claudio Lottenberg traz ainda contradições internas no ecossistema político do PL. O médico, que presidiu por anos o Hospital Israelita Albert Einstein, mantém em seu histórico posicionamentos fortemente críticos à maneira como a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conduziu a crise sanitária durante a pandemia de Covid-19, criticando abertamente a ausência de liderança centralizada e o desrespeito às orientações da ciência.

Buscando conter ruídos e acomodar as alas mais radicais de seu eleitorado, Flávio Bolsonaro buscou minimizar os atritos passados, declarando que sua postulação ao Palácio do Planalto prefere focar em metas futuras. No entanto, a perspectiva de um Ministério da Saúde focado na redução do financiamento público e na mercantilização do acesso à medicina recoloca o futuro do SUS no centro do escrutínio popular às vésperas do pleito.

Assista ao trecho da declaração:

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