Ex-ministro da Secom de Bolsonaro, Wajngarten crítica postura de Flávio no debate da Band
Por Henrique Rodrigues, na Revista Fórum

As tensões nos bastidores da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tornaram-se públicas e inflamadas após o encerramento do primeiro debate do segundo turno das Eleições 2026, realizado na noite do último domingo (18) pela Band. O descontentamento com o desempenho do senador do PL diante do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou gerando fogo amigo vindo do núcleo duro do bolsonarismo: Fabio Wajngarten, que comandou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), usou suas redes sociais para tecer críticas contundentes à conduta e à estratégia adotadas pelo postulante da extrema direita.
A manifestação expõe uma profunda crise de alinhamento e insatisfação no comando da propaganda política da oposição. Segundo analistas, a decisão do senador do PL de priorizar provocações e retórica inflamada em vez do confronto de ideias programáticas não apenas desperdiçou o tempo de televisão, como também frustrou a parcela do eleitorado indeciso que buscava alternativas consistentes para os rumos do país.
Críticas ao amadorismo estratégico e desrespeito ao telespectador
Em tom de desabafo e reprimenda, o ex-chefe da Secom fez questão de ressaltar a diferença entre a dinâmica acelerada das redes sociais e a profundidade exigida por uma transmissão televisiva em horário nobre. Wajngarten argumentou que o telespectador que reserva a noite de domingo para acompanhar um confronto político direto possui um perfil exigente, refratário a manobras superficiais e focado na busca por soluções reais para os problemas nacionais.
Ao criticar a insistência da equipe de campanha de Flávio Bolsonaro em replicar no estúdio táticas de redes sociais voltadas a engajamento rápido e polarização rasa, o comunicador deixou claro que a tática enfraqueceu o candidato e poupou o governante em exercício, a quem se referiu como o “incumbente”, permitindo que este saísse do embate sem o devido enquadramento sob propostas concretas.
“Um debate na TV aberta na Band num domingo às 20:00 tem público qualificado. Não é mídia de dancinha nem de lacração. Quem tá vendo não está passando com o dedo e arrastando para cima. Não é possível que não entendam isso. Quem opta por assistir quer propostas e respostas. Quer ver quem vai fazer diferente do que está ruim. O INCUMBENTE que está no corner. Que cada profissional da campanha foque e fique no seu quadrado. Não inventem”, disse Wajngarten no X.
Fratura exposta na reta final da disputa
O recado direto enviou um forte alerta aos coordenadores da postulação do PL, sugerindo amadorismo e interferência indevida de assessores que estariam extrapolando suas funções na construção da abordagem do candidato. Ao cobrar que “cada profissional da campanha foque e fique no seu quadrado”, Wajngarten escancarou as brigas internas pelo controle da narrativa eleitoral na reta final do pleito.
A repercussão do desabafo reforça a percepção de que a performance de Flávio Bolsonaro no debate televisivo desapontou até mesmo aliados históricos do clã Bolsonaro. A poucos dias da votação decisiva agendada para 25 de outubro, a cobrança pública por maturidade política e conteúdo programático escancara o clima de incerteza e a necessidade urgente de ajustes no discurso da oposição diante do eleitorado brasileiro.


