Bolsonarista diz não ter percebido que alvo de seus socos era uma mulher
Diogo Freire Estevão
por coluna Demétrio Vecchioli, no Metrópoles
O empresário bolsonarista Diogo Freire Estevão é o homem filmado dando socos em uma mulher com uma camisa vermelha no Metrô de São Paulo no domingo (18/10). Ele disse à coluna não ter percebido que ela é uma mulher – a reportagem posteriormente viu um vídeo da vítima e pode atestar que essa versão é inverossímil.
Proprietário da empresa de transportes DFT Logísitca, de Vargem Grande Paulista (SP), Diogo alega que agiu em legítima defesa e que percebeu que a vítima de sua agressão era uma mulher porque ela usa dreads.
“Parecia um rapaz, depois que eu descobri que era uma mulher. Era uns dread bem grande e cumprido. Ela veio me chamando de fascista, ficou cara a cara comigo um pouco de tempo. Falei: ‘Só não coloca a mão em mim’. Falava cuspindo. Foi e deu um soco no meu pescoço, presumo para ir no rosto, mas acertou no pescoço”, contou.
“A gente estava ali cantando as musicas. Ela veio e confrontou meu esposo”, disse Leda Freire, esposa de Diogo, à coluna. Eles alegam que seus advogados já pediram ao Metrô acesso aos vídeos do momento para só então se posicionarem publicamente além do que disseram à coluna.
O relato contrasta com da vítima, que abriu boletim de ocorrência relatando que estava esperando Uber, com uma camiseta vermelha, quando começou a ser ofendida pelo casal, chamada de “suja” e “drogada”. Quando se aproximou para rebater as ofensas, levou três socos (o vídeo mostra dois).
Em nota enviada ao Metrópoles, a Motiva, responsável pela operação da linha 4-Amarela, informou que os envolvidos foram atendidos sem ferimentos, e que nenhum deles quis registrar boletim de ocorrência.
Diogo é investigado por ameaçar de matar uma mulher na cidade onde mora, Vargem Grande Paulista. Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva a favor da mulher, contra ele, que não pode se aproximar dela nem frequentar locais que ela frequenta depois de, segundo a vítima, dizer que tem arma de fogo e que iria “foder” com a vida dela.


