Valdemar diz que ninguém aprovou carta golpista de Flávio e que Bolsonaro não sabia de fuga do filho

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por Folhapress

Homem de meia-idade com expressão séria fala para vários microfones de jornalistas enquanto está sentado no banco do motorista de um carro. Microfones coloridos com logos de emissoras estão próximos ao vidro aberto do veículo.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, após reunião com Jair Bolsonaro (PL) na casa do ex-presidente, em Brasília – Gabriela Biló/Folhapress

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que ninguém aprova a situação de Flávio Bolsonaro (PL), em referência à fuga para os EUA do candidato derrotado e à carta com teor golpista divulgada por ele em que reitera não aceitar o resultado das urnas e mente sobre fraude.

Valdemar falou com a imprensa após visitar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. O dirigente afirmou que o ex-presidente não sabia que o filho mais velho fugiria para os EUA na terça-feira (27), após ter perdido a eleição presidencial para Lula (PT).

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“Não, ninguém sabia, eu também não sabia. […] Não, não falou para o pai [que fugiria para os EUA], não falou não. O Bolsonaro não sabia”, disse. Flávio chegou a visitar o pai na segunda-feira (26), antes de fugir.

Primeiramente, Valdemar respondeu que Flávio havia, sim, se despedido do pai na ocasião. “Se despediu, lógico”, disse. Questionado novamente, se corrigiu: “Não. Se despediu, não. Ele veio para ver o pai. Ele [Flávio] não sabia que ia [embora], nem o Bolsonaro sabia que ele ia”.

Ao chegar ao condomínio, ele respondeu apenas “não gostei”, ao ser questionado sobre a carta em que, em uma primeira versão, Flávio se autodeclara “presidente” —em seguida ele trocou por “líder”. O documento foi divulgado na quarta-feira (28).

Na saída, o presidente do PL disse que não tratou com Bolsonaro a respeito da fuga ou da carta de Flávio, mas deixou clara sua desaprovação, afirmando querer tocar a vida, o país e o partido para frente.

“Não tocamos nesse assunto. Ninguém aprovou a carta. Ninguém aprova isso”, respondeu.

“Nós queremos tocar a vida para frente. […] Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com Flávio. […] Flávio passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente”, completou.

Ao falar brevemente com jornalistas, Valdemar ainda afirmou que Flávio “está sofrendo muito lá pelo que passou”. “Mas, nós, é lógico que ninguém concorda com isso. Nós queremos tocar o país para frente, queremos tocar o partido para frente. Esse é o nosso objetivo e vamos tocar. […] Temos que tocar a vida para frente”, reiterou.

O presidente do PL disse que o ex-presidente está bem de saúde, mas não feliz. “Ninguém fica feliz de estar na situação em que o Bolsonaro está e de ver os filhos na situação em que estão”, disse.

Valdemar estava sem contato com Bolsonaro há quase um ano, segundo ele. Em julho, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes proibiu o ex-presidente de receber visitas de caráter político até o fim das eleições.

A visita desta quinta foi solicitada por Bolsonaro na véspera e foi autorizada por Moraes, que determinou um tempo máximo de duas horas para o encontro. Os advogados afirmaram haver “necessidade de diálogo direto” entre o ex-presidente e Valdemar.

O dirigente disse que a conversa foi sobre “tudo”.

“Eu estava há quase um ano sem ver o Bolsonaro, tinha tanto assunto para falar para ele. Conversei sobre a eleição, falei como foram os candidatos em todos os estados, deputados estaduais, federais, os candidatos a governo do estado, que nós fizemos o maior número de governadores”, relatou.

A carta em que Flávio se autoproclamou “presidente eleito do Brasil” foi divulgada primeiramente por aliados, após o candidato derrotado desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, destino final do plano de fuga do Brasil.

A viagem ocorreu depois de Moraes determinar a entrega dos passaportes do congressista no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.

A versão original da carta foi alterada cerca de uma hora depois, com a troca do trecho em que o filho de Jair Bolsonaro se autodeclarava “verdadeiro presidente” para “líder do Brasil”.

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