Lula vai procurar centrão e condiciona indicações para ministérios a votos no Congresso

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por Folhapress

Homem de cabelos brancos e barba curta, vestido com suéter vermelho, beija no rosto mulher loira de cabelo preso, que usa blazer vermelho e camiseta cinza, em palco com outras pessoas ao fundo.
Lula e a então ministra Gleisi Hoffmann, no 17° Encontro Nacional do PT – Pedro Ladeira – 3.ago.25/Folhapress

O presidente Lula (PT) iniciará na próxima semana as conversas para o desenho do quarto mandato. A meta, segundo aliados, é concluir a composição da nova Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro.

Depois do feriado de Finados, em 2 de novembro, Lula e os emissários do petista deverão negociar com partidos de centro a participação no governo. O presidente do PT, Edinho Silva, foi designado para conduzir as primeiras conversas.

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Diferentemente da montagem do atual mandato, em que prevaleceu o tamanho total das bancadas, o espaço de cada partido no ministério dependerá da promessa de fidelidade às pautas governistas.

Além de definir a pasta que cada partido ocupará segundo a expectativa de votos no Congresso Nacional, a ideia é que só congressistas leais possam indicar nomes para cargos no Executivo. Com isso, o governo pretende evitar a experiência de votações passadas, quando partidos acomodados na Esplanada impuseram derrotas no Legislativo.

Com o mapa em mãos, Lula montará a futura equipe. Segundo relatos, o MDB acena, por exemplo, com a possibilidade de garantir 30 votos ao governo, tendo o ex-governador do Pará Helder Barbalho entre os cotados para uma cadeira no ministério.

Lula também terá o desafio de acomodar aliados que foram derrotados nas últimas eleições ao cumprirem missões para o presidente, como Gleisi Hoffmann, no Paraná, Fernando Haddad, em São Paulo, e Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul.

A pedido de Lula, Gleisi abriu mão da disputa à Câmara dos Deputados para concorrer ao Senado pelo Paraná. Na conversa com o presidente, Gleisi avisou que seria derrotada no estado de forte presença bolsonarista.

Embora soubesse do risco, Lula pediu que ela concorresse ainda assim, para que tivesse um palanque no Sul. Hoje, aliados de Lula apostam na indicação de Gleisi para o Ministério do Desenvolvimento Social, para o qual já esteve cotada, ou para uma cadeira no TCU (Tribunal de Contas da União), caso o ministro Rodrigo Pacheco seja indicado ao STF (Superior Tribunal Federal). O nome da ex-ministra também é cogitado para a diretoria-geral de Itaipu Binacional, no Paraná.

Outro nome de confiança do presidente, o vice Geraldo Alckmin (PSB) deverá assumir um ministério a partir de janeiro. Petistas apontam a Defesa como um possível destino. Ele vem sendo citado também para a Fazenda.

Lula e Alckmin estreitaram ainda mais a relação de proximidade neste ano. O petista relatou a aliados ter ficado satisfeito com o desempenho do vice na campanha.

A expectativa de governistas é que, independentemente do papel formal que ocupe dentro do Executivo, Alckmin receba mais tarefas de Lula no mandato que se iniciará do que no atual. O vice deverá ter mais espaço para representar a Presidência da República em viagens nacionais e internacionais, em costuras políticas e em conversas com o empresariado.

Como mostrou a Folha, outro dos mencionados para assumir alguma pasta é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Um dos coordenadores da campanha de Lula no segundo turno, ele é cotado para o Ministério da Fazenda, mas teria que abdicar do cargo de governador para assumi-lo —o que já manifestou a aliados estar disposto a fazê-lo.

Junto a eles, o senador Camilo Santana (PT-CE), que foi ministro da Educação no atual mandato de Lula, lidera as cotações para a Casa Civil, após o grupo político do cearense sair vitorioso no estado e ganhar maior influência junto ao presidente.

Derrotado na disputa pelo Governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad era, antes, o principal cotado para assumir a Casa Civil de um governo Lula 4, mas o cenário mudou após o primeiro turno. Agora, o nome de Haddad é sugerido para ocupar o Ministério das Relações Exteriores ou a Educação, pasta que já comandou.

Haddad também poderia chefiar a Casa Civil caso Camilo assumisse o Ministério da Segurança Pública, pasta cuja criação ainda depende de aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança pelo Congresso.

Fonteles, Camilo e Haddad também são cotados para suceder a Lula como candidato do PT ao fim do atual mandato, quando o presidente terá 85 anos. Ele não deve mais concorrer a cargos eletivos. Aliados do chefe do governo mencionam a possibilidade de Lula colocar os três em posições com poder mais ou menos equivalente dentro do governo para ver qual é capaz de se viabilizar.

A reeleição de Lula abriu a temporada de apostas na Esplanada. Mas o presidente desencoraja rumores sob o argumento de que ainda não deu início às tratativas. Em suas conversas, porém, ele tem indicado que pretende fazer alterações em seu próprio gabinete.

Uma das novidades deverá ser a criação de uma estrutura diretamente ligada a ele para comunicação pessoal nas redes sociais, sem que seus perfis fiquem submetidos à Secretaria de Comunicação da Presidência.

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