Deputada americana aposta em maioria democrata após midterms para investigar ajuda de Trump a Flávio Bolsonaro
Por Folhapress

Deputados do partido Democrata dos Estados Unidos pretendem investigar as ações do presidente Donald Trump para proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos nesta semana, e a influência da Meta nas eleições brasileiras, disse à Folha a deputada democrata Pramila Jayapal.
“Se vencermos na terça-feira [dia 3, nas eleições de meio de mandato nos EUA], exerceremos nossa função de fiscalização e investigaremos o que o governo Trump e o que a Meta fizeram no Brasil, e faremos tudo ao nosso alcance para apoiar os resultados democráticos das eleições brasileiras e a vontade do povo brasileiro”, disse Jayapal.
Jayapal, integrante dos comitês Judiciário e de Relações Exteriores da Câmara, foi uma das signatárias de uma carta enviada na noite de quinta-feira (29) ao secretário de Estado Marco Rubio, aliado dos Bolsonaros.
Ao lado de outros 24 deputados democratas, Jayapal pede esclarecimentos sobre “o papel do Departamento de Estado na facilitação da fuga de Flávio do Brasil após o senador ser proibido, pelo Supremo Tribunal Federal, de viajar para o exterior.
Na carta, os deputados enviam 15 perguntas para Rubio e dão prazo até 13 de novembro para o secretário de Estado prestar esclarecimentos.
Entre os questionamentos, os democratas perguntam “qual foi a base jurídica para emitir vistos para o senador Bolsonaro e sua família”, se “o Departamento de Estado levou em consideração as investigações criminais em curso [envolvendo Flávio] quando tomou suas decisões” e se diplomatas americanos no Equador ou na Argentina ajudaram no plano de fuga.
Na terça-feira (3), os Estados Unidos realizam suas eleições de meio de mandato, as midterms. Segundo a média de pesquisas do RealClearPolling, o apoio aos democratas está em 51,4%, diante de 43,2% para Republicanos. Levantamentos apontam grandes chances de os democratas conquistarem a maioria na Câmara, enquanto o cenário no Senado é mais apertado.
Jayapal já havia sido signatária de pedidos de esclarecimentos para o Departamento de Estado e para a Meta sobre medidas que considera interferências na eleição brasileira.
“Os Estados Unidos prestam um desserviço terrível e perigoso ao receber e ajudar Flávio Bolsonaro, além de questionar a legitimidade das eleições”, disse à Folha. Trump afirmou, sem provas, que parece ter havido fraude —ecoando as acusações infundadas do candidato derrotado.
Segundo a legisladora democrata, caso os democratas conquistem a maioria na Câmara e, possivelmente, no Senado nas midterms, eles se empenharão em investigar as ações do governo Trump em relação ao pleito no Brasil.
“Se tivermos a Câmara e o Senado —mas mesmo que tenhamos apenas a Câmara—, investigaremos essas duas questões [Flávio e Meta] e tentaremos impedir que o governo [Trump] continue a subverter a vontade do Supremo Tribunal Federal do Brasil.”
Segundo Jayapal, os questionamentos que Trump faz sobre as eleições brasileiras estão relacionados a seu posicionamento nos EUA, onde não aceitou o resultado das eleições de 2020 e vem levantando dúvidas sobre a lisura do pleito de meio de mandato.
“As duas coisas estão totalmente relacionadas. É isso que ele faz quando perde eleições livres e justas. Ele tenta semear dúvidas”, diz.
“Ele incitou uma insurreição para tentar roubar uma eleição [nos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021], mas foi impedido. Infelizmente, porém, ao contrário do Brasil, nós não o responsabilizamos da mesma forma que o Brasil responsabilizou Bolsonaro pai. E, portanto, acho que vivemos um momento difícil nos Estados Unidos”, afirma também.
Jayapal aponta para as diversas tentativas de Trump de restringir votos nas eleições de meio de mandato. “Ele questiona os cadastros eleitorais. Tenta forçar os estados, inclusive o meu, Washington, a não contabilizar os votos de várias pessoas. E tudo isso tem sido feito sem qualquer prova.”
A deputada afirma que Trump está “exportando seu método” de questionar eleições quando perde.
“Ele tenta preparar o terreno para que as pessoas pensem que, se ele perder, é porque a eleição não foi livre. E sabemos que o sistema eleitoral brasileiro é extremamente preciso, e que todas as acusações feitas contra o Brasil são como as mesmas que ele vem fazendo aqui nos Estados Unidos.”
Em relação à movimentação de parte dos legisladores republicanos para adotar mais tarifas e sanções contra o Brasil, após pressões do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ela diz não acreditar que vai prosperar. “Acredito firmemente que eles não terão maioria para fazer isso.”


