Bolsonaro vai a ato com pedidos de ‘destituição’ de ministros do STF em Brasília
Ato bolsonarista em Brasília, no dia 1º de maio. © Iander Porcella/Estadão
Por Iander Porcella e Daniel Weterman
BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro fez uma rápida participação no ato organizado em Brasília por seus apoiadores contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e em defesa do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), que foi condenado a oito anos e nove meses de prisão por ataques à democracia, mas recebeu perdão presidencial. O presidente chegou por volta de 11h30 e fez uma caminhada. “Vim cumprimentar o pessoal que está aqui numa manifestação pacífica e em defesa da Constituição, da democracia e da liberdade”, afirmou ele em trasmissão ao vivo em suas redes sociais.
O presidente foi anunciado no carro de som como “imorrível”, “imbrochável” e “incomível” e caminhou entre apoiadores, separados por grades de proteção. Ficou cerca de dez minutos e, sem discursar, retornou ao Palácio da Alvorada, onde mora, com o comboio de carros oficiais. “Parabéns ao povo de Brasília e de todo o Brasil que hoje estarão (sic) às ruas. Estamos juntos, o Brasil é nosso”, disse antes de ir embora. Aliados de Bolsonaro tinham aconselhado ele a não ir no ato para evitar uma escalada do conflito com o Supremo. A avaliação é de que o chefe do Executivo teve ganhos políticos ao confrontar o STF no caso Silveira e agora é preciso baixar a temperatura da crise.
Bolsonaristas circularam pela manifestação, em frente ao Congresso Nacional, enrolados em bandeiras do Brasil e com camisetas com frases como “Meu partido é o Brasil”, “Deus, Pátria e Liberdade” e “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”. Nos carros de som, manifestantes pediram o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Fora, Xandão”, gritaram. Uma das faixas que foram colocadas no local pede “criminalização do comunismo e destituição dos ministros (do STF)”.
O ato também tem faixas com críticas à esquerda, ao ex-presidente Luiz Inácio Inácio Lula da Silva (PT) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, discursou no ato e afirmou que há uma luta do bem contra o mal. “O que eu tenho pregado é que nós não podemos desistir do Brasil. Nós precisamos que o bem vença o mal”, afirmou o ministro.
“Não aceitamos Alexandre de Moraes ou qualquer outro ministro atacando a liberdade de expressão. Nós jamais aceitaremos”, disse o deputado Sanderson (PL-RS), também presente. “Ontem foi com o deputado Daniel Silveira, amanhã será com o deputado Sanderson, ou com a deputada Bia Kicis, ou com qualquer um de nós.”
Pivô do novo embate entre o presidente e o STF, Daniel Silveira participou de ato em Niterói e era esperado também no Rio e em São Paulo.
O número de apoiadores em Brasília era menor do que o registrado no 7 de Setembro do ano passado, por exemplo. O grupo se concentrou neste domingo no gramado entre o Ministério da Justiça e o Itamaraty, mas não chegou a preencher todo o espaço reservado para o ato.
O youtuber e empresário João Salas, um dos organizadores da manifestação, disse que o presidente Jair Bolsonaro não discursou em trio elétrico por causa de proibições da lei eleitoral. Depois do anúncio de que ele não discursaria, começou a dispersão. “A gente não pode prejudicar o nosso presidente”, justificou Salas, ao dizer que a candidatura de Bolsonaro à reeleição poderia ser impugnada caso ele discursasse.


