Após tentativa de assassinato, Argentina retoma julgamento contra Cristina Kirchner

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Cristina Kirchner no balcão de sua casa em 23 de agosto de 2022 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

O julgamento por suspeita de corrupção contra a vice-presidente da Argentina Cristina Kirchner e outras 12 pessoas será retomado nesta segunda-feira (5), mesmo depois da tentativa de assassinato da semana passada.

Os primeiros a se pronunciarem serão os advogados de defesa de um outro réu —a defesa de Cristina Kirchner é esperada para o fim de setembro. Ainda não há data marcada, pois as alegações são apresentadas de acordo com uma lista em ordem alfabética.

Cristina é acusada de favorecimento, quando era presidente, ao empresário Lázaro Báez na concessão de licitações para a realização de obras públicas na província de Santa Cruz.

A audiência desta segunda estará dedicada às alegações de Héctor Garro, ex-diretor de obras públicas em Santa Cruz.

Cristina pode ser presa por 12 anos

A promotoria pediu 12 anos de prisão e inabilitação perpétua do exercício de cargos públicos para Kirchner, sob a acusação dos crimes de associação ilícita e administração fraudulenta.

No entanto, como ela é vice-presidente, ela tem foro privilegiado que a exime de ir para a prisão ou ficar inabilitada. O veredicto deve ser emitido até o fim deste ano.

O Ministério Público estima que o montante desviado do Estado foi de bilhões de dólares.

Tentativa de assassinato

A etapa final deste processo judicial, iniciado em 2019, acontece em meio a um clima de crescente polarização política, agravado pelo atentado cometido contra a ex-presidente na noite de quinta-feira por um homem de 35 anos, perto de sua casa em Buenos Aires.

Fernando Sabag Montiel, nascido no Brasil, de pai chileno e mãe argentina, foi preso por apontar uma pistola contra a cabeça de Cristina, quando ela cumprimentava seus simpatizantes na rua. Apesar de homem ter apertado o gatilho duas vezes, a arma não disparou.

A Justiça ainda não conseguiu determinar se o agressor tem cúmplices ou se agiu sozinho. Também há investigações se houve alguma falha no esquema de segurança da vice-presidente.

Até o momento, Kirchner não fez nenhuma declaração.

A tentativa de assassinato foi imediatamente repudiada pelos principais nomes da política na Argentina. Na sexta-feira (2/9), uma enorme manifestação aconteceu em apoio a ex-presidente e em repúdio à violência.

Clima político piora

No sábado (3/9), ocorreu uma sessão tensa na Câmara dos Deputados. O ataque foi condenado pelos deputados, mas a maior parte dos legisladores da oposição se ausentou após a assinatura do texto.

Os governistas afirmaram que alguns meios de comunicação estariam incitando o clima de violência no país. No domingo (4), o ex-presidente Mauricio Macri criticou essas afirmações: “O próprio ministro do Interior estabeleceu um vínculo direto entre editoriais de jornais, rádio e televisão e o ataque a Cristina Kirchner. Esta atribuição é tão irracional como o próprio atentado, e pode colocar em perigo a vida de jornalistas, a integridade dos meios de comunicação independentes e da própria democracia”, escreveu o ex-presidente.

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