No STF, Rosa Weber ataca discurso que “divide país entre bem e mal”

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Rosa Weber. Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Por Manoela Alcântara

O discurso em defesa da democracia e da Constituição ecoou na posse da ministra Rosa Weber como nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na segunda-feira (12/9). Tanto no discurso da nova gestora, quanto nas falas da ministra Cármen Lúcia, a palavra foi de momentos de “desassossego”, de “momentos difíceis” e da necessidade de se proteger o Estado Democrático de Direito, as liberdades individuais e a democracia, “consagrada pela Constituição, cuja a guarda compete ao STF”.

Em discurso emocionado e direto, Weber ressaltou que o mundo e o Brasil vivem tempos difíceis e de “maniqueísmos indesejáveis”. Ela se referiu à filosofia religiosa defendida pelo profeta persa Manes ou Maniqueu, que consiste na visão de mundo baseada em luz e trevas; bem e mal.

Segundo ele, essa é a visão que tem norteado o período eleitoral, baseado em propagandas e discursos que tratam como “eles ou nós”, “bem ou mal”, adversários políticos.

“Vivemos tempos difíceis, de maniqueísmos indesejáveis, o STF não pode desconhecer essa realidade. Até porque o STF tem sido alvos de ataques injustos e reiterados por parte de quem desconhece o texto constitucional e ignora as atribuições cometidas a essa Corte pela Constituição. Constituição que nós, juízes e juízas, juramos obedecer”, ressaltou a nova presidente do STF.

Rosa Weber ainda ressaltou o diálogo deveria ser um parceiro essencial nos embates políticos. “A democracia pressupõe diálogo constante. Nas arenas políticas e sociais, o amplo debate deveria ocorrer com formação de consensos, mantido o respeito às regras do jogo”, analisou.

Veja trechos do discurso de Rosa Weber:

“Momentos difíceis”

Escolhida pela ministra Rosa Weber para falar durante cerimônia de posse como nova presidente do STF, a ministra Cármen Lucia engrossou o coro com discurso forte. Lembrou que o Brasil e o mundo vivem momentos difíceis, com palavras de ódio e ataques às instituições democráticas.

Por cerca de 20 minutos, Cármen Lúcia reafirmou que a troca de gestão e o perfil da ministra Rosa Weber fazem reverência à República Federativa do Brasil.

“Não se promove a democracia com comportamentos desmoralizantes de pessoas e instituições. Vossa excelência não assume o cargo em momento histórico de tranquilidade social e de calmaria política. Bem diferente disso, os tempos são de tumulto e de desassossego no mundo e no Brasil”, apontou Cármen Lúcia.

Posse no STF

Rosa Weber tomou posse como nova presidente do STF e do CNJ. Em cerimônia mais discreta do que a de Alexandre Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Weber foi empossada com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP); de chefes de Estado; do ex-presidente José Sarney; de candidatos e convidados em geral.

Também ministro, Luiz Roberto Barroso tomou posse como vice-presidente da Corte e também do CNJ.

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