Adriano Galdino admite que Lula ficou em segundo plano na base de Lucas

Adriano Galdino, deputado estadual pela Paraíba e presidente da Assembleia Legislativa, concordou parcialmente com a avaliação de Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, de que a candidatura à reeleição do presidente Lula ficou em plano secundário dentro da base governista no estado.
Segundo o registro, Adriano admitiu que “alguns fazem” a defesa do governo Lula “de uma maneira menor”, apesar da coligação já anunciada entre o PT e o grupo do governador Lucas Ribeiro, do Progressistas, que governa a Paraíba. No entanto, o presidente da Assembleia tentou equilibrar a crítica ao reforçar sua posição favorável ao presidente Lula.
Palanque de Lula vira ponto sensível
A fala expõe um ruído dentro da aliança governista. Lucas Ribeiro tenta reunir partidos com interesses diferentes em torno da sua candidatura à reeleição. Parte da base tem ligação direta com Lula. Outra parte abriga lideranças mais pragmáticas ou com eleitorado distante do campo petista.
Adriano Galdino, que é filiado ao Republicanos, afirmou que sua escolha por Lula está ligada à trajetória de vida do presidente e à relação dele com o Nordeste. Com isso, tentou responder à cobrança sem transformar o tema em rompimento dentro da base.
Ricardo já vinha cobrando protagonismo
A cobrança de Ricardo Coutinho não surgiu agora. O ex-governador vinha defendendo que Lula tivesse papel central no palanque governista da Paraíba. Para setores do PT, a aliança estadual só faz sentido se a campanha presidencial tiver visibilidade real diante do eleitorado lulista.
Esse ponto importa porque a eleição estadual envolve interesses diferentes. A base de Lucas precisa manter o apoio formal do PT, mas também tenta acomodar partidos que não têm a mesma relação política com o presidente Lula.
Base de Lucas tem disputa por espaço
O problema não é apenas simbólico. A base de Lucas Ribeiro ainda precisa organizar a chapa majoritária, definir espaços políticos e ajustar o palanque para 2026. Nesse ambiente, qualquer ruído sobre o lugar de Lula pode virar disputa interna.
Além disso, partidos aliados calculam cargos, chapas proporcionais, apoios municipais e presença na majoritária. O Republicanos quer manter força na composição. O PT busca protagonismo nacional e estadual. Outros aliados tentam preservar espaço sem criar atrito com seus próprios eleitorados.
O risco para o governo
A crítica sobre o espaço de Lula pode abrir uma brecha para adversários. Cícero Lucena, ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato pelo MDB ao Governo da Paraíba, tenta se apresentar como alternativa ao grupo governista. Efraim Filho, senador pela Paraíba e pré-candidato pelo PL ao Governo do Estado, disputa o eleitorado de oposição pela direita.
Além disso, Olímpio Rocha, pré-candidato do PSOL ao Governo da Paraíba, tenta ocupar o campo da esquerda. Se a base de Lucas não conseguir mostrar que Lula está no centro da campanha, outros palanques podem tentar disputar esse eleitorado.
O que observar agora
O primeiro ponto será a reação do PT da Paraíba. Se o partido cobrar publicamente mais espaço, o tema pode virar problema antes das convenções.
O segundo ponto será a escolha do vice de Lucas Ribeiro. Se o nome vier do Republicanos ou de outro partido fora do PT, a base governista terá de compensar o partido de Lula de outra forma.
O terceiro ponto será a presença do próprio Lula na campanha. Uma agenda do presidente na Paraíba pode resolver parte do ruído, mas também pode escancarar quem realmente controla o palanque.
Adriano Galdino não rompeu com a base. Mas admitiu o desconforto. Na Paraíba, Lucas Ribeiro tem o apoio formal do PT, só que isso ainda não garante que Lula esteja no centro da campanha. E, em uma eleição apertada, deixar o principal eleitor do Nordeste em segundo plano pode custar caro.


