Após ser presa, vice-presidente do Parlamento Europeu é destituída do cargo por escândalo de corrupção

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Eva Kaili — Foto: Eric Vida;/European Parliament/AFP

Por Reuters

O Parlamento Europeu – o Legislativo que une deputados de todos os países da União Europeia – destituiu na terça-feira (13) a vice-presidente da Casa Eva Kaili.

Em um caso que abalou um dos organismos com mais credibilidade na Europa, Kaili foi presa na sexta-feira (9) após uma investigação da Promotoria da Bélgica apontar que o governo do Catar, anfitrião da Copa do Mundo, subornou Kaili para influenciar a tomada de decisões. A agora ex-vice-presidente, que é também deputada da Grécia, negou as acusações.

Por ampla maioria – 625 votos a favor e apenas um contra, além de duas abstenções -, os parlamentares destituíram a deputada grega de seu cargo. Ela também perdeu o assento no Parlamento.

“A integridade do Parlamento Europeu vem em primeiro lugar”, tuitou a presidente do Parlamento, Roberta Metsola, após a votação.

O caso, no qual a polícia descobriu pilhas de dinheiro em operações de busca e apreensão em 19 casas e escritórios oficiais, lança uma sombra sobre o Parlamento Europeu, que busca ser uma bússola moral mundial, criticando os abusos de direitos globais e repreendendo os governos da UE por qualquer indício de impropriedade.

Representantes de vários países da UE, incluindo a Alemanha, admitiram que a credibilidade do bloco europeu está em jogo por conta do escândalo. Já o chanceler da Hungria, país que costuma ser criticados pelo Parlamento Europeu por conta de posturas autocratas de seu líder, Viktor Orbán, afirmou que a Casa “perdeu a superioridade moral”.

“A partir de agora, o Parlamento Europeu não poderá falar sobre corrupção de maneira crível”, escreveu o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto.

Eva Kaili ainda não se manifestou desde que o escândalo veio a público, mas, nesta terça, seu advogado na Grécia, Michalis Dimitrakopoulos, disse à rede Open TV que “a posição dela é que ela é inocente, posso te dizer isso. Ela não tem nada a ver com o financiamento do Catar, nada, explícita e inequivocamente”.

O governo do Catar negou qualquer irregularidade.

Investigação

O Ministério Público da Bélgica vinha investigando a suspeita de que o um país do Golfo Pérsico buscava meios ilegais para influenciar parlamentares europeus havia quatro meses.

Segundo fontes da Promotoria ouvidas pela imprensa europeia, este país é o Catar, que pagou subornou deputados para que eles influenciassem o abafamento de investigações contra o governo do país.

Durante as operações de busca e apreensão, segundo a Promotoria, a polícia encontrou dinheiro em malas dentro de um quarto de hotel. O Ministério Público belga não divulgou a quantia e nem de quem seriam as bagagens.

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