Assessor de Lula diz que Trump ‘está mal informado’: ‘Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta’
Por Isabella Calzolari, g1

O ex-chanceler Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, classificou nesta segunda-feira (26) como “contraditória” a fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o processo eleitoral brasileiro.
Para Amorim, Trump está “mal informado” e quem “tentou fraudar” as eleições brasileiras foi a empresa Meta, que controla as plataformas Instagram, Facebook e WhatsApp.
“Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou Amorim ao g1.
A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral contra a Meta, acusando a empresa norte-americana de colocar barreiras a conteúdos do petista nas redes sociais a fim de favorecer Flávio Bolsonaro. A Meta nega interferências.
Mais cedo, nesta segunda-feira, Trump foi questionado, nos Estados Unidos, sobre a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito.
Em resposta a jornalistas, o presidente norte-americano disse, sem apresentar indícios de irregularidades, que o pleito no Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”.
Na sequência, ao ser questionado se faria algo a respeito, Trump afirmou que gosta de Lula.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”
Virada histórica
Lula derrotou Flávio na votação de domingo (25), que ficou marcada pela primeira vez na história em que um candidato foi eleito após ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.
O presidente obteve 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 48,21%. O candidato derrotado do PL afirmou que não reconhece o resultado da votação e que recorrerá à Justiça para pedir a anulação do pleito.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio contestou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19h em seções que ainda estavam abertas.
Segundo o senador, a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores e alterado as regras durante a eleição.
A medida de Zanin estendeu o horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h depois que ambas campanhas relataram dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país.
A campanha de Lula argumentou que falhas no transporte público dificultaram o deslocamento de eleitores em diversos estados. O pedido encaminhado à Justiça Eleitoral citava problemas registrados em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.
A equipe de Flávio também solicitou a ampliação do horário de votação, mas com foco em cidades afetadas por fortes chuvas. Os advogados do candidato alegaram que alagamentos, alterações em locais de votação e dificuldades de acesso às seções eleitorais comprometeram o exercício do voto em algumas regiões.
Na decisão, Zanin afirmou que a medida era necessária diante da gravidade das situações relatadas e da urgência do tema. Posteriormente, o ministro esclareceu que a extensão valeria apenas para locais onde as urnas ainda estavam abertas no momento da determinação judicial, descartando a reabertura de seções que já haviam encerrado a votação.
Apesar do tempo estendido para algumas seções, o Tribunal Superior Eleitoral afirma que apenas 35 mil pessoas votaram após às 17h. Lula registrou uma vantagem de 4,4 milhões sobre Flávio.


