BID doa R$ 1,6 bi para Haiti, e Lula cobra engajamento da ONU para enfrentar crise

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Favela em Porto Príncipe, capital do Haiti - Clarens Siffroy - 3.jun.25/Reuters

O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) anunciou doação de R$ 1,6 bilhão para o Haiti, que enfrenta uma crise humanitária e crescente violência.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e detalhado pelo presidente do BID, Ilan Goldfajn, ex-chefe do Banco Central brasileiro. Eles estavam no Palácio Itamaraty, em Brasília, para evento diplomático com líderes caribenhos, a Cúpula Brasil-Caribe.

De acordo com Goldfajn, a doação terá como destino a ajuda humanitária e não contemplará assistência militar ou de forças policiais.

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Os recursos do BID deverão ir para projetos como alimentação escolar, recuperação de hospitais, infraestrutura básica, entre outros. Também haverá financiamento para criar emprego e renda no setor privado haitiano.

Os valores fazem parte de um programa mais amplo liderado pelo BID a pedido das autoridades haitianas e da comunidade internacional para coordenar o Plano de Recuperação 2025-2030 do Haiti, em colaboração com a ONU, a União Europeia e o Banco Mundial.

O Haiti sofre com uma crise humanitária e domínio por gangues armadas, o que tem gerado crescente violência no último ano. A situação teve destaque nas discussões do encontro.

Lula defendeu maior engajamento da ONU para aliviar a crise haitiana. “O Brasil apoia que a ONU assuma parte do financiamento da missão multinacional de segurança ou a converta em uma operação de paz”, declarou.

Em setembro do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a extensão, por ao menos um ano, da missão multinacional de ajuda à polícia do Haiti.

O presidente brasileiro também anunciou que o Brasil fará aporte de US$ 5 milhões ao Banco de Desenvolvimento do Caribe.

“O Brasil vai aportar US$ 5 milhões ao Fundo Especial de Desenvolvimento do Banco do Caribe. Isso representará novas oportunidades para que empresas brasileiras participem de licitações realizadas com financiamento da instituição”, disse o petista.

O fundo prevê a destinação de US$ 50 milhões para ações no Haiti.

O governo Lula estudava fazer um aporte de até US$ 9 milhões, mas o valor foi reduzido por causa das dificuldades orçamentárias do Brasil. A doação deve ir para projetos relacionados a mudanças climáticas, combate à pobreza e melhoria da educação.

A Cúpula Brasil-Caribe recebeu 12 representantes de países caribenhos em Brasília. As discussões incluíam, além de questões locais, os debates da COP30, que será realizada em Belém em novembro.

O encontro também tratou do fortalecimento da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), além da ampliação do engajamento dos países caribenhos com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Do governo brasileiro participaram os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Anielle Franco (Igualdade Racial), Margareth Menezes (Cultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Lula anunciou que, para dar seguimento aos compromissos da cúpula, será criado um fórum Brasil-Caribe em nível ministerial, que se reunirá periodicamente.

Veja lista de representantes estrangeiros da Cúpula Brasil-Caribe

  1. Presidente da República Dominicana, Luis Abinader
  2. Presidente da Guiana, Irfaan Ali
  3. Presidente do Conselho Presidencial de Transição do Haiti, Fritz Jean
  4. Vice-Presidente de Cuba, Salvador Valdés Mesa
  5. Primeiro-Ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne
  6. Primeiro-Ministro das Bahamas, Philip Davis
  7. Primeira-Ministra de Barbados, Mia Mottley
  8. Primeiro-Ministro de Santa Lúcia, Philip J. Pierre
  9. Ministro dos Negócios Estrangeiros de São Cristóvão e Névis, Denzil Douglas
  10. Presidente do Senado da Jamaica, Thomas Tavares Finson
  11. Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comércio Exterior de São Vicente e Granadinas, Frederick Stephenson
  12. Ministro dos Negócios Estrangeiros de Granada, Jospeh Andall

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