Biden associa 7 de Outubro ao Holocausto em alerta contra o antissemitismo

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Presidente dos EUA, Joe Biden, faz discurso no Museu Memorial do Holocausto, em Washington - Amanda Andrade-Rhoades -7.mai.24/Reuters

Em um discurso em homenagem aos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou na terça-feira (7) que a ameaça do antissemitismo está crescendo no país, inclusive nos campi universitários.

A declaração foi feita em um evento do Museu Memorial do Holocausto no Capitólio, por ocasião da abertura das cerimônias que marcam os dias da lembrança do episódio histórico. Biden participou de um debate sobre segurança dos judeus, sionismo, liberdade de expressão e apoio a Israel.

“Este antigo ódio aos judeus não começou com o Holocausto; também não terminou com o Holocausto, nem mesmo depois da nossa vitória na Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente americano. “Este ódio continua a viver profundamente nos corações de muitas pessoas no mundo e exige a nossa vigilância e franqueza contínuas. Esse ódio ganhou vida em 7 de outubro de 2023.”

A referência é à data dos ataques do Hamas que desencadearam o conflito que completa sete meses nesta terça. A ofensiva terrorista matou 1.200 pessoas, segundo os registros israelenses, e até o momento quase 35 mil pessoas foram mortas em Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde local, controlado pela facção.

“Nunca mais, para mim, significa simplesmente: Nunca esquecer. Nunca esquecer significa que devemos continuar contando a história, devemos continuar ensinando a verdade”, disse Biden. “A verdade é que corremos o risco de as pessoas não saberem a verdade.”

A fala do presidente americano acontece uma semana após a Câmara dos Deputados dos EUA aprovar um projeto de lei que adota oficialmente a definição de antissemitismo proposta pela Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês) e determina que ela seja usada pelo governo federal em meio à aplicação de leis contra a discriminação no sistema educacional do país.

O projeto de lei e a IHRA definem antissemitismo como “uma certa percepção sobre judeus que pode ser expressada como ódio aos judeus. Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são direcionadas contra pessoas judias e não judias, sua propriedade privada, e contra instituições comunitárias e religiosas judaicas”.

A proposta de legislação, que ainda precisa passar pelo Senado, foi uma resposta aos protestos universitários em diversas instituições de ensino dos EUA contra o apoio de Washington a Tel Aviv na guerra na Faixa de Gaza. No discurso desta terça, Biden reconheceu o direito dos americanos de protestar e se manifestar, mas não mencionou as mortes em Gaza.

“Sabemos que fazer de bode expiatório e demonizar qualquer minoria é uma ameaça para todas as minorias”, disse o presidente. “Não há lugar em nenhum campus nos EUA para antissemitismo, discurso de ódio ou ameaças de violência de qualquer tipo.”

 

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