Bispos católicos afirmam em carta que Flávio Bolsonaro representa ameaça à democracia

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Montagem: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esq., e o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) - 11.fev. 2026 Ricardo Stuckert e Gabriela Biló/Divulgação e Folhapress

por coluna Mônica Bergamo, Folhapress

Um grupo de bispos da Igreja Católica decidiu divulgar uma carta aberta sobre o segundo turno das eleições em que afirmam que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) “ameaça frontalmente a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”. A coluna publica o manifesto na íntegra em primeira mão (leia abaixo).

Embora não cite o nome do filho de Jair Bolsonaro (PL), o documento lista problemas que enxergam no candidato que “sempre foi contra o fim da escala 6 x1”, “que promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA)”, que “promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu governo” e que “não reconhece a crise climática e nega os problemas ecológicos”.

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Até a tarde de quinta (22), 35 bispos de diferentes regiões do país assinavam a carta, que segue aberta a adesões.

No manifesto eles também convocam os católicos para não deixarem de votar no domingo (25), “em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja.”

“Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século 20 deixaram cruéis e amargas lembranças”, diz trecho do documento.

A carta diz ainda, sem citar o nome de Lula (PT), que a outra candidatura, “embora sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição”.

“Gostar ou não do atual governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa igreja”, prossegue o documento.

A articulação para a elaboração e divulgação da carta teve a participação do movimento intitulado Bispos do Diálogo pelo Reino. Em agosto, eles já tinham divulgado outra carta em que denunciavam o “conservadorismo autoritário” que, em sua visão, espalha discursos agressivos e superficiais contra quem pratica a fé ajudando os pobres, defendendo a democracia e cuidando do meio ambiente.

No atual manifesto, o grupo lembra que a família Bolsonaro fez homenagens a um dos maiores torturadores da ditadura brasileira, o general Brilhante Ustra.

“Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia”, acrescenta.

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