Caiado e Zema se reúnem para discutir aliança, e ex-governador de Goiás sinaliza que pode ser vice
Governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) participam de evento do banco de investimentos UBS, no hotel Grand Hyatt, em SP - Eduardo Knapp - 28.jan.26/Folhapress
por Folha de S.Paulo
Distantes de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), passaram a admitir a possibilidade de se unirem na mesma chapa ainda no primeiro turno das eleições e tiveram um encontro na terça-feira (26) para discutir uma aliança.
A mudança no discurso dos dois pré-candidatos ocorre depois do desgaste de Flávio diante do caso “Dark Horse”, alvo de críticas de Zema e Caiado, e da vantagem aberta por Lula na última pesquisa Datafolha.
Apesar de terem passado a debater uma chapa única, a avaliação no entorno deles é de que uma eventual união, se ocorrer, só seria definida perto das convenções e do registro das candidaturas, entre julho e agosto.
Em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado na quarta-feira (27) a respeito do encontro no dia anterior e sobre a disposição de Zema de fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos realmente avaliando”, respondeu.
Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na própria terça, manteve esse tema em aberto.
“Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse o pré-candidato do Novo em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.
Zema esteve no escritório de campanha de Caiado, em São Paulo, para a reunião que tratou da aliança no primeiro turno.
O ex-governador de Goiás havia dito, em outras ocasiões, que o grupo estaria unido de qualquer forma no segundo turno, quando é esperado que um nome do campo da direita se mantenha na disputa contra Lula, da esquerda.
Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das de Lula e de Flávio. “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.
Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.
O mineiro, que também havia feito visitas e aberto canais de diálogo com Flávio, virou alvo de ataques de bolsonaristas diante da postura após a revelação da associação do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Zema disse que era “imperdoável, um tapa na cara nos brasileiros de bem” ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro. A atitude foi interpretada como uma traição por aliados de Flávio, dificultando a busca do ex-governador por palanques entre políticos da direita.
Na semana passada, Caiado citou Vorcaro e disse que “a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República”.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno. Caiado e Zema marcam, respectivamente, 4% e 3% no levantamento.
Zema repetiu na terça as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.
Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro marcou 46% de rejeição e superou numericamente o petista (45%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos.
Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.
O pré-candidato do Novo também voltou a fazer críticas a programas sociais do governo Lula, como havia feito em anos anteriores. “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirmou.
Declarações do apresentador Luciano Huck sobre o Bolsa Família no último sábado (23), durante evento do Esfera Brasil, foram alvo de críticas e reacenderam um debate antigo sobre as ações de transferência de renda —estudos refutam a tese sobre “dependência eterna” do programa.
