Campeão do mundo, Luis de la Fuente colhe frutos da geração que formou por mais de uma década

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Luis De la Fuente, 65, abraça todo o grupo de jogadores da Espanha. A conquista da Copa do Mundo no domingo (19), após vitória sobre a Argentina, em Nova Jersey, começou a ser construída há mais de uma década.

Homem careca com óculos, vestido com terno azul escuro e camisa branca, levanta o braço direito fazendo sinal de positivo com o polegar em ambiente externo desfocado.
Luis De la Fuente celebra a vitória sobre a Bélgica, nas oitavas de final da Copa – Lisi Niesner – 02.jul.26/Reuters

Desde 2013, o treinador acompanhou o núcleo do elenco pelas categorias de base da Espanha. Agora, leva o país a repetir um feito alcançado apenas pela geração de Vicente del Bosque: reunir ao mesmo tempo os títulos da Eurocopa e da Copa do Mundo.

De la Fuente também se torna o técnico mais velho a conquistar o Mundial, à frente de del Bosque, que tinha 59 anos em 2010.

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O primeiro título conquistado por Luis De La Fuente foi a Eurocopa sub-19, em 19 de julho de 2015. Naquele dia, a Espanha bateu a Rússia por 2 a 0. Entre os atletas convocados para esta Copa estavam Unai Simón, Rodri e Mikel Merino —o goleiro titular, o capitão e um reserva de luxo do atual elenco.

Dos 26 convocados para o Mundial de 2026, oito já haviam sido comandados por De la Fuente na campanha da medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados em 2021.

Natural de Haro, na região de La Rioja, De la Fuente chegou à Federação Espanhola de Futebol em maio de 2013 para comandar a seleção sub-19. A oportunidade surgiu depois de cerca de um ano e meio desempregado, iniciado com sua saída do Alavés, em 2011, quando viu um anúncio no jornal.

O contrato inicial previa apenas três meses de trabalho para a disputa da Eurocopa da categoria, mas acabou marcando o início de um ciclo de mais de uma década na federação.

Os resultados vieram cedo. Em 2015, conquistou a Euro Sub-19. Quatro anos depois, levou também a Euro Sub-21.

Em 2021, assumiu a seleção olímpica e chegou à final dos Jogos de Tóquio. A Espanha perdeu para o Brasil por 2 a 1, na prorrogação, mas mais de um terço daquele elenco permaneceu junto.

Os oito jogadores convocados para a Copa do Mundo que estiveram naquela campanha são Unai Simón, Marc Cucurella, Martín Zubimendi, Mikel Merino, Mikel Oyarzabal, Eric García, Pedri e Dani Olmo.

Quando substituiu Luis Enrique na seleção principal, em dezembro de 2022, De la Fuente voltou a trabalhar com parte desse grupo. Em menos de dois anos, conquistou a Liga das Nações da Uefa, em 2023, e a Eurocopa de 2024, vencida de forma invicta e com sete vitórias em sete jogos.

Esses foram os dois primeiros títulos da seleção principal desde 2012. A Euro, inclusive, foi também o primeiro título de Lamine Yamal, que se tornaria o mais jovem a conquistar o torneio, aos 17 anos e um dia. Com este título, a Espanha volta a reunir simultaneamente a Copa do Mundo e a Eurocopa.

É a segunda vez que isso acontece, repetindo a sequência formada pelo Mundial de 2010 e pela Euro de 2012, quando era comandada por Vicente Del Bosque.

“O que sempre digo é que conheço muito bem os jogadores e, obviamente, minha maneira de entender o jogo evoluiu, mas essencialmente por causa deles. Foram esses jogadores que nos obrigaram a desenvolver uma ideia de acordo com as qualidades que têm”, explicou ele ao Guardian.

“Eu tinha uma ideia, mas eles a tornaram melhor. É preciso ter uma base para tudo, mas você percebe que são eles que colocam isso em prática, que adaptam essa ideia. E cabe a você dar a eles as ferramentas para isso. No fim, tudo gira em torno da matéria-prima. É ali que está a inspiração”, complementou.

A espinha dorsal daquela equipe voltou a liderar a campanha desta Copa do Mundo. A Espanha estreou com empate sem gols diante de Cabo Verde, o que parecia criar dúvidas no potencial da equipe, mas depois goleou a Arábia Saudita por 4 a 0 e venceu o Uruguai por 1 a 0 para terminar na liderança do Grupo H.

Nas fases eliminatórias, superou Áustria, Portugal, Bélgica e França para chegar à decisão contra a Argentina. Até a final, a equipe havia sofrido somente um gol no torneio, com direito a recorde batido pelo goleiro Unai Simón —ele chegou a 650 minutos sem sofrer gols até ser vazado contra a Bélgica, nas quartas.

O time venceu a França, apontada como a favoritíssima e com o melhor futebol desta Copa, sem grandes sobressaltos. O 2 a 0 foi tranquilo, com domínio espanhol e dificuldade para as principais estelas, como Olise e Mbappé.

A relação entre De la Fuente e o elenco aparece nos relatos dos jogadores. Unai Simón, que também trabalhou com o treinador na seleção sub-21, lembrou um episódio da Euro da categoria, quando perdeu a posição após a estreia.

“Luis me fez entender que o futebol vai muito além das individualidades e dos egos. Naquele momento, aos 20 anos, ele me fez perceber que meu papel como companheiro do Antonio [Sivera] era muito importante. Depois ele me escreveu dizendo que tinha muito orgulho do trabalho que eu havia feito, porque não era fácil voltar para o banco e continuar treinando da forma como eu treinava.”

Durante a Copa, o lateral Marc Cucurella prometeu tatuar o rosto de De la Fuente caso a Espanha conquistasse o título mundial. A brincadeira surgiu em entrevista ao programa El Partidazo de COPE.

“Se ganharmos a Copa, faço uma tatuagem pequena do rosto dele”, afirmou.

Campeão do mundo, agora Cucurella precisa cumprir a promessa.

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