Contradições e tentativa de esconder boné levam polícia a apontar suspeito de ataque a cão Orelha

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Imagens de câmeras de segurança registram adolescente suspeito de atacar cão Orelha indo e voltando da praia acompanhado de uma amiga - @governosc via Instagram

Peças de roupa, intervenção de familiares e versões diferentes levaram a polícia a apontar quem é o adolescente suspeito de matar o Cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC). O jovem teve internação provisória pedida.

“Em diversos momentos, ele se contradisse e omitiu fatos importantes para a investigação”, disse o delegado Renan Balbino, um dos responsáveis pelo caso. A defesa do adolescente, que não teve a identidade revelada, disse que o jovem é associado indevidamente ao caso e que os elementos apresentados não constituem provas.

O adolescente havia dito inicialmente que estava na área de piscina do condomínio e que não havia saído durante a madrugada do dia 4 de janeiro, quando o ataque ocorreu. No entanto, registros de câmeras de segurança mostraram o adolescente deixando o local às 5h25 da manhã, acompanhado de uma amiga, e retornando às 5h58.

“Esse foi o grande ponto de contradição nas declarações do adolescente. Ele não sabia que tínhamos as imagens dele saindo e voltando do condomínio”, disse a delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal.

Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, duas peças de roupa identificadas nas filmagens foram fundamentais para identificar o adolescente suspeito: um boné rosa e um moletom preto.

A polícia percebeu a tentativa de um familiar de esconder o boné na bolsa no dia em que o adolescente retornou ao Brasil e chegou ao aeroporto de Florianópolis.

O jovem estava em uma viagem de formatura para os Estados Unidos, pré-programada antes do ataque, e teria embarcado no mesmo dia em que a PC-SC identificou os possíveis suspeitos.

Mardjoli afirmou que, durante a revista nos pertences do adolescente ainda no aeroporto, o familiar apresentou comportamento suspeito e disse que o moletom preto, que estava na mala, havia sido adquirido durante a viagem. A roupa foi apreendida, e o adolescente confirmou em depoimento que já possuía o moletom antes de ter embarcado.

Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente suspeito, disseram que informações “dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.

A defesa disse que ainda não teve acesso integral aos autos do inquérito e lamentou a condução do caso.

“Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”, diz o texto.

Segundo a delegada, poucas informações foram divulgadas sobre as provas obtidas para não atrapalhar a investigação.

“O desafio era evitar o máximo de vazamento sobre o que já tínhamos”, disse Mardjoli. “Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou se desfazer de importantes elementos de prova, como a roupa utilizada na data do fato e o seu aparelho celular.”

A polícia não confirmou se o familiar, que não teve a identidade revelada, também está sendo investigado por tentar interferir nas apurações. Também houve o indiciamento de dois pais e de um tio de adolescentes investigados no caso do cão Orelha, sob suspeita de coação de testemunhas.

De acordo com laudos periciais da Polícia Científica, Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, com um golpe contundente na cabeça que pode ter sido causado por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

O cão foi resgatado por moradores que o encontraram ferido e levado a uma clínica veterinária, onde morreu no dia seguinte.

Na apuração paralela em andamento, outros quatro adolescentes foram formalmente acusados de ato infracional análogo a maus tratos pelo ataque ao cão Caramelo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê sigilo absoluto em procedimentos envolvendo crianças e adolescentes.

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