Defesa de Daniel Vorcaro apresenta nova versão de delação a PF e PGR

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em evento com lideranças políticas e do setor privado em São Paulo

por Folha de S.Paulo

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou à Polícia Federal e à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma nova versão da proposta de delação premiada.

Na segunda-feira (1º), a defesa teve reunião com investigadores e entregou o documento, e adendos foram acrescentados ao texto na terça (2). A informação foi divulgada inicialmente pela TV Globo e confirmada pela Folha.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no dia 6 de maio, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações que o ex-banqueiro pretendia fornecer.

O relator dos inquéritos do Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, também manifestava, à época, ceticismo sobre o acordo.

Investigadores disseram à Folha, sob reserva, que essa primeira versão da delação não incluía, por exemplo, as suspeitas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) que viraram alvo de uma das fases da operação Compliance Zero.

Em ação do dia 7 de maio, a PF cumpriu busca e apreensão contra Ciro, atual presidente do PP e ministro da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro (PL), por suspeita de que o parlamentar recebia quantias mensais de Vorcaro, além de despesas pessoais bancadas pelo ex-banqueiro, como viagens de jatinho.

Embora a investigação policial já estivesse avançada em relação a esse caso, o órgão percebeu que Vorcaro não havia incluído o tema como uma das irregularidades que deveriam ser relatadas em sua colaboração.

Outro caso não citado na delação é o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Bolsonaro, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência.

Mensagens publicadas pelo Intercept Brasil revelam que Vorcaro deu prioridade ao financiamento da produção após pressão do senador.

A decisão foi tomada em meio a dificuldades de liquidez no banco. Em conversa com seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel, responsável por operacionalizar desembolsos do grupo financeiro do banqueiro, Vorcaro chegou a afirmar que o projeto era “o mais importante disparado”.

Segundo a publicação, as conversas ocorreram em janeiro de 2025, quando Zettel concentrava a execução de pagamentos pessoais e empresariais ligados a Vorcaro.

Na terça, em entrevista à GloboNews, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse ver necessidade da instauração de um inquérito para apurar o envio de recursos por Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiar o filme. Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) naquele país.

Em 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, o Juca, que estava à frente das tratativas, deixou a defesa. A saída acontece após a rejeição da delação pela PF. Seguiu na defesa do ex-banqueiro o advogado Sérgio Leonardo, que conhece e é próximo a Vorcaro desde a juventude.

Após rejeitar a versão inicial da delação, a PF voltou à mesa de negociação uma semana depois.

Mendonça acabou autorizando a volta do ex-banqueiro a uma cela especial na superintendência da PF em Brasília. Essa era a cela em que Vorcaro estava enquanto fazia os relatos do acordo de colaboração aos advogados.

Na última semana, a defesa de Vorcaro afirmou às autoridades que estava disposta a apresentar um novo texto com a proposta de delação premiada, o que aconteceu nesta semana.

A PF e a PGR vinham tentando fazer com que Vorcaro ressarcisse R$ 60 bilhões que teria desviado em fraudes do Banco Master em um prazo curto.

Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades consideram que os termos aplicados a ele na negociação devem ser rígidos. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.

Para que esse ressarcimento aconteça, ele deve indicar em quais contas estão esses valores e como pretende devolvê-los. Também pode apontar bens, como aviões e imóveis, que sirvam para quitar as quantias.

Para que a delação de Vorcaro seja validada, ela ainda deve passar pelo crivo de Mendonça.

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