Desenrola pode “limpar” até 2,5 milhões de CPFs com dívida de R$ 100, diz Haddad

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Ministro Fernando Haddad. Foto: Reuters

Por Juliana Elias

O número de pessoas que estão com o CPF negativado por conta de dívidas de até R$ 100 com bancos, e que podem ter o nome limpo por meio do Desenrola, novo programa de renegociações de dívidas do governo federal, pode variar de 1,5 milhão até 2,5 milhões, de acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Os números consideram os clientes ligados aos principais bancos do país.

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“Se todos os grandes bancos aderirem, estamos falando de cerca de 2,5 milhões de CPF”, disse Haddad em coletiva na segunda-feira (17/7).

O volume final de nomes limpos, explicou Haddad, vai depender da adesão do Nubank, que possui, sozinho, 1 milhão desses CPFs negativados com baixos valores.

A primeira fase do Desenrola, voltado para quem tem dívidas com bancos, começou na segunda-feira (17/7).

Esta etapa prevê, também, que os bancos participantes retirem da lista de negativados os nomes de devedores pessoa física com pendências de até R$ 100.

A dívida não é perdoada e deverá ainda ser paga, mas as restrições de crédito ao nome da pessoa ficam derrubadas.

Esta foi a contrapartida exigida pelo programa para que as instituições financeiras tenham direito aos incentivos tributários concedidos pelo Desenrola àquelas que se dispuserem a dar descontos e renegociar as dívidas em aberto de seus clientes.

Para cada R$ 1 de desconto concedido ao cliente inadimplente, o banco recebe R$ 1 do governo em adiantamento de créditos presumidos, o que ajuda a abrir espaço no caixa deles para a concessão de novos créditos.

O benefício, porém, pode ser mais ou menos vantajoso para cada instituição de acordo com o seu modelo contábil.

A estimativa inicial do Ministério da Fazenda é que essas operações de adianto de de créditos presumidos devem abrir cerca de R$ 50 bilhões em recursos para os bancos, de acordo com Haddad.

Primeira fase: renegociar com bancos

Esta primeira etapa do Desenrola é válida apenas para dívidas com bancos e outras instituições financeiras, e para clientes com renda mensal de até R$ 20 mil.

Dentro desses parâmetros, podem ser dívidas de qualquer valor e de qualquer natureza – desde cartão de crédito até financiamentos de veículos ou imóveis feitos pelo banco.

As renegociações devem ser negociadas diretamente entre os bancos e os clientes, por meio dos canais próprios de comunicação.

É nesta etapa que passa a valer, também, a “desnegativação” do nome dos clientes com dívida no valor de até R$ 100.

Segunda fase: renda baixa e dívidas gerais

A partir de setembro, na segunda fase, o programa passará a contemplar os devedores de baixa renda, com condições especiais, e dívidas também com outros serviços além dos bancos, como lojas e contas de luz, água ou gás.

Serão atendidas pessoas inadimplentes que possuam renda mensal de até dois salários mínimos – R$ 2.640 – ou que estejam inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Poderão ser negociadas dívidas de até R$ 5.000.

Nesta faixa, as dívidas terão o aval do Tesouro Nacional, que irá garantir o pagamento do débito renegociado caso o cliente falte.

A estimativa do governo é que, nesta etapa, seja possível regularizar ao menos R$ 30 milhões em dívidas em aberto hoje.

Em qualquer das etapas, as regras valem apenas para dívidas contraídas até 31 de dezembro de 2022.

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