“Envelhecer, sim. Parar, não”: Lula propõe envelhecimento com cuidado, autonomia e vida social
Lula durante entrevista — Foto: Reprodução/TV Brasil
Piscina, cinema, livro, passeio, dança. E namoro, por que não? Na velhice projetada por Lula, televisão não é destino e solidão não é rotina. Aos 80 anos, o presidente fala de um tempo da vida que ainda tem movimento, desejo, conversa e planos, e quer levar essa ideia para as políticas públicas de um novo mandato. “Não vamos deixar os idosos que construíram esse país abandonados porque estão com uma doença ou porque estão com dificuldade de andar”, afirmou.
O tema surgiu durante uma live neste domingo (13/9), em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com a militância ao lado de Edinho Silva, presidente do PT; Éden Valadares, secretário nacional de comunicação do PT e Ana Flávia, da comunicação do partido. No encontro, Lula falou sobre suas propostas e convocou os apoiadores a irem às ruas e às redes nesta reta final da campanha.
No plano de governo, essa visão se traduz na ampliação do Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso (PADI) e dos Centros-Dia, além de novas políticas de cuidado, inclusão social, cultura e lazer em parceria com estados e municípios. A proposta também prevê letramento digital para proteger idosos de golpes e fraudes.
“As pessoas idosas não podem ficar sentadas na frente de uma televisão, sendo consumidas, não. Têm que levantar, andar, conversar, fazer”, disse Lula. O presidente defendeu espaços onde possam “nadar, passear, ler, assistir filme, se quiser dançar, dançar. E por que não namorar também?”
REDE DE CUIDADOS – A proposta é fortalecer uma rede capaz de atender diferentes necessidades de quem envelhece. De um lado, ampliar o cuidado para quem precisa de acompanhamento dentro de casa. De outro, oferecer espaços onde idosos possam passar parte do dia com assistência, atividades e convivência, sem precisar romper os vínculos com a família e com a comunidade.
Um dos caminhos previstos é a ampliação do Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso (PADI), levando o cuidado para dentro de casa, especialmente para quem enfrenta dificuldades de locomoção ou precisa de acompanhamento. A ideia é oferecer suporte sem afastar, sempre que possível, a pessoa idosa de seu ambiente familiar e de sua rotina.
Outra frente é a expansão dos Centros-Dia, espaços de atendimento e convivência onde idosos podem permanecer durante parte do dia, receber cuidados e participar de atividades, retornando depois para suas casas. Além de atender quem precisa de apoio, esse modelo também ajuda famílias que dividem a rotina entre trabalho, estudo e o cuidado de parentes idosos.
O plano prevê ampliar atividades de cultura e lazer, com mais oportunidades de convivência e participação social. A ideia é combater o isolamento, preservar a autonomia e garantir que a pessoa idosa continue ativa, mantendo vínculos e fazendo planos.
Lula citou a própria rotina de exercícios ao falar sobre envelhecimento saudável. “A gente não consegue evitar que os anos passem”, afirmou. E fez uma recomendação: “Se você tem pai, avô ou mãe, faça ele levantar e andar um pouco. Andar cinco minutos no primeiro dia, dez no segundo, quinze”.
LETRAMENTO DIGITAL – O cuidado com a população idosa chega ainda ao mundo digital, um espaço cada vez mais presente no cotidiano. O plano de governo prevê ações de letramento digital para a pessoa idosa, com foco na proteção contra golpes e fraudes. A proposta busca ampliar conhecimento e segurança para que essa população possa utilizar celulares e serviços digitais com mais autonomia e menos vulnerabilidade.
Num cotidiano em que operações bancárias, compras, serviços públicos e relações pessoais passam cada vez mais pelas telas, aprender a reconhecer riscos também se tornou uma forma de proteção. A ideia é que a tecnologia sirva para aproximar, facilitar e dar independência e não para transformar quem envelheceu em alvo fácil de criminosos.
SEM SAIR DE CENA – Ao falar sobre o Brasil que pretende construir, Lula colocou no mesmo horizonte quem está começando a vida e quem ajudou a construir o país. Crianças em ambientes seguros enquanto mães e pais trabalham e estudam. Pessoas idosas cuidadas quando precisam, mas também com espaço para caminhar, conviver, aprender, se divertir e continuar fazendo planos. “Eu sou motivado a acreditar na vida”, disse Lula.
No Brasil que ele projeta para os próximos quatro anos, chegar à velhice não significa deixar de participar dela. Significa ter cuidado quando for necessário, autonomia enquanto for possível e companhia, cultura, lazer e movimento ao longo do caminho. E, se houver vontade, dança, cinema e namoro também.


