‘Enxurrada’ de água escura e com mau cheiro é registrada desaguando em praia da grande João Pessoa; VÍDEO
'Enxurrada' de água escura é registrada desaguando em praia da grande João Pessoa — Foto: Zuila David/TV Cabo Branco
Por g1 PB
Uma “enxurrada” de água escura e com mau cheiro foi registrada desaguando na praia entre os bairros do Bessa e Intermares, em João Pessoa e Cabedelo, respectivamente, na manhã de domingo (19). Uma equipe da TV Cabo Branco esteve no local e filmou o momento. Veja o vídeo clicando aqui.
De acordo com a apuração, a água vem de um rio nas proximidades e desagua diretamente no mar. Pelas imagens, é possível notar a diferença de coloração entre o líquido que vem do rio e também o que é registrado no mar.
O g1 entrou em contato com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) e também com a Companhia de Água e Esgotos do estado (Cagepa).
A Cagepa respondeu “que não possui nenhum tipo de interligação que possa gerar extravasamento de esgotos para praia ou galerias pluviais” e que há o “monitoramento tanto por equipes volantes quanto por monitoramento remoto das estações elevatórias”. Sobre eventuais providências relacionadas ao episódio, o órgão disse que como a rede gerida por ele não tem problema, “portanto não há o que ser feito pela Cagepa”.
Justiça determinou solução para o problema em João Pessoa
Em 9 de março, o juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara de Fazenda Pública de João Pessoa, determinou, em decisão liminar, que medidas urgentes sejam adotadas para evitar o lançamento irregular de esgoto nas praias urbanas de João Pessoa, entre elas a do Bessa, onde foi registrado parte do material no domingo (19).
A decisão acontece no âmbito de uma Ação Civil Pública movida por uma entidade ambiental, que aponta um cenário de “degradação nas praias de João Pessoa”, em trechos de orla como Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa. A determinação tem como foco a Prefeitura de João Pessoa, a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).
De acordo com o processo, a entidade aponta indícios de falhas estruturais no sistema de esgotamento sanitário, insuficiência no tratamento de resíduos e omissão na fiscalização por parte dos órgãos responsáveis.
Na decisão, o magistrado considerou o risco imediato da continuidade do despejo de esgoto no mar. Segundo ele, a exposição de banhistas em águas contaminadas pode provocar doenças, além de comprometer o equilíbrio do ecossistema marinho e a qualidade ambiental das praias.
Para que isso seja evitado, o juiz determinou que a Prefeitura de João Pessoa, a Cagepa, a Sudema e o Estado da Paraíba apresentem, no prazo de 30 dias, um plano de ação para interromper o lançamento de esgoto não tratado na orla.
A decisão também estabelece a necessidade de monitoramento mais rigoroso da qualidade da água, com coleta de amostras no momento em que os efluentes são lançados no mar, além da inclusão da análise da qualidade da areia das praias nos relatórios oficiais.