Equivalente à tortura: ONU critica novo método dos EUA para execução de presos

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Foto: Pixabay

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse na terça-feira (16/01) estar “alarmado” com a execução iminente de um preso condenado à morte nos Estados Unidos usando um novo método, a inalação de nitrogênio, acreditando que isso pode constituir tortura.

Neste tipo de execução, a morte é causada por hipóxia (redução de oxigênio).

“Estamos alarmados com a execução iminente nos Estados Unidos de Kenneth Eugene Smith, usando um método novo e não testado, a hipóxia por nitrogênio”, disse uma porta-voz do Alto Comissariado da ONU, Ravina Shamdasani, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.

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Isto “poderia constituir tortura ou outro tratamento cruel ou degradante na visão do direito internacional”, disse ela.

A porta-voz observou que o protocolo de execução de hipóxia com nitrogênio do Alabama não prevê sedação. A Associação Veterinária Americana (AVMA) recomenda a administração de um sedativo até mesmo para animais de grande porte, quando sacrificados desta forma.

A ONU apela às autoridades do estado do Alabama para suspenderem a execução de Smith, marcada para 25 de janeiro. Shamdasani expressou ainda preocupação pelo fato de os estados do Mississippi e Oklahoma também terem aprovado este método de execução.

No dia 3 de janeiro, os relatores da ONU já haviam manifestado preocupação com esta “primeira tentativa” no mundo de execução por hipóxia com nitrogênio, temendo que o método “levasse a uma morte dolorosa e humilhante”.

A execução de Kenneth Smith por injeção letal em novembro de 2022 por um assassinato encomendado, cometido em 1988, foi cancelada no último minuto porque a aplicação intravenosa da solução letal não pôde ser administrada dentro do prazo legalmente previsto.

Sentença de morte polêmica

Em 1988, um marido infiel e endividado contratou Smith e outro assassino para matar a esposa durante um assalto simulado. Apesar do suicídio do marido, a polícia localizou os dois assassinos.

Kenneth Smith foi inicialmente condenado à pena de morte, mas o julgamento foi anulado após recurso. Em seu segundo julgamento em 1996, ele foi novamente considerado culpado de assassinato, mas os jurados estavam divididos quanto à sentença: 11 dos 12 recomendaram prisão perpétua.

Um juiz impôs, então, a pena de morte ignorando a opinião dos jurados, o que era legal na época, mas hoje é proibido nos Estados Unidos.

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