Escudo protetor da usina nuclear de Tchernóbil precisa de reparos após ataque, diz ONU

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Estrago provocado por drone na cúpula de confinamento de Chernobyl em fevereiro de 2025. — Foto: Efrem Lukatsky/AP Photo/picture alliance via DW

Um escudo protetor da usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, construído para conter material radioativo do desastre de 1986, não consegue mais desempenhar a sua principal função de segurança devido a danos causados por drones, informou a agência nuclear da ONU, na sexta-feira (5).

A Ucrânia atribuiu o ataque à Rússia. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que uma inspeção realizada na estrutura de aço de contenção, concluída em 2019, constatou que o impacto de um ataque por drone em fevereiro deste ano, três anos após o início da guerra, degradou a estrutura.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, disse que a estrutura de proteção perdeu suas funções primárias de segurança, incluindo a capacidade de confinamento. Ele afirmou, porém, que não houve danos permanentes às suas estruturas de suporte de carga ou sistemas de monitoramento.

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Grossi acrescentou que os reparos já foram realizados, “mas a restauração completa continua sendo essencial para evitar maiores danos e garantir a segurança nuclear a longo prazo”.

A ONU informou, em 14 de fevereiro, que as autoridades ucranianas relataram que um drone russo de alto poder explosivo atingiu a usina. A ação teria causado um incêndio e danificado o revestimento protetor ao redor do reator número quatro, destruído no desastre de 1986.

Moscou negou ter atacado a usina. A ONU também afirmou, ainda em fevereiro, que os níveis de radiação permaneceram normais e estáveis no local, e não houve relatos de vazamentos de radiação.

A explosão de um reator na usina nuclear de Tchernóbil entrou para a história como o maior acidente nuclear do mundo —estima-se que a radiação liberada na atmosfera naquele 26 de abril tenha sido 400 vezes superior à emitida pela bomba atômica de Hiroshima.

O incidente espalhou radiação por toda a Europa e levou as autoridades soviéticas a mobilizarem um grande número de homens e equipamentos para lidar com o ocorrido. O último reator em operação da usina foi desativado em 2000.

Em 24 de fevereiro de 2022, quando teve início a invasão da Ucrânia pela Rússia, o local voltou a servir de cenário para um pesadelo nuclear. A partir de Belarus, os russos adentraram a chamada zona de exclusão de Tchernóbil, uma área de 2.600 km² caracterizada por altos níveis de contaminação radioativa em cujo centro está a usina. A ocupação durou pouco mais de um mês.

Quando se entra na zona de exclusão, é preciso apresentar passaportes e autorizações, no caso da imprensa. Não por causa dos perigos da exposição à radiação, segundo afirmam os administradores, mas em razão da proximidade com Belarus, país aliado de Vladimir Putin cuja fronteira fica a menos de 50 km dali.

Depois, ao sair —um processo que inclui medir o próprio nível de energia radioativa em uma espécie de balança que remete aos tempos soviéticos—, é necessário submeter as fotografias tiradas na zona a oficiais ucranianos para que eles se certifiquem de que nenhuma delas revela locais militares estratégicos.

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