Exame confirma que suspeito de matar homem em hotel de João Pessoa tem 17 anos; justiça mantém apreensão do adolescente
Um exame de papiloscopia confirmou, nesta quarta-feira (29), que o suspeito de matar um homem dentro de um quarto de hotel em João Pessoa tem 17 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML) à TV Cabo Branco.

A identificação ocorreu por meio da análise de impressões digitais. O material do suspeito foi coletado e comparado com as informações disponíveis no banco de dados do Rio Grande do Norte, estado onde o adolescente nasceu.
O suspeito havia passado também por um exame de arcada dentária que teve como resultado inconclusivo.
Documentos apresentados por familiares e outros registros do histórico do suspeito serão reunidos e encaminhados à Justiça e ao Ministério Público.
“Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele”, disse.
O delegado Diego Garcia, responsável pelas investigações, explicou que após a realização desses exames, o suspeito foi encaminhado para a ala de menores de idade da carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa, onde aguardou a realização da audiência de custódia com a promotoria de Infância e Juventude da capital.
Justiça mantém apreensão do adolescente em audiência de custódia
A Justiça da Paraíba manteve a apreensão provisória do adolescente de 17 anos que confessou ter matado Washington Rodrigo dentro de um quarto de hotel, no bairro de Manaíra, em João Pessoa. A manutenção da apreensão foi confirmada pelo advogado de defesa para a TV Cabo Branco após audiência realizada nesta quarta-feira (29).
De acordo com a apuração, com essa decisão, há um prazo de 45 dias de internação provisória para o suspeito. Segundo o advogado de defesa, caso não haja uma sentença proferida dentro desse período, o suspeito deverá ser obrigatoriamente colocado em liberdade.
Também na audiência, ficou definido que a Polícia Civil tem até 10 dias para concluir o inquérito e encaminhar todo o procedimento ao Poder Judiciário.
A partir dessa conclusão, o Promotor de Justiça analisará o caso para oferecer a representação e será marcada uma audiência de apresentação perante a autoridade judicial. Na sequência, ocorre a audiência de instrução, fase em que serão colhidos os depoimentos das testemunhas e analisadas as provas.
Se ao final do processo for aplicada a medida de internação definitiva, o jovem passará por reavaliações periódicas obrigatórias a cada três a seis meses.
Nessas revisões, são elaborados um parecer técnico e um parecer jurídico, servindo de base para que a defesa faça os requerimentos cabíveis em favor do adolescente.
Suspeito foi transferido para João Pessoa
O adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos chegou à capital paraibana no final da manhã da terça-feira (28), após ser ouvido em Caicó, no Rio Grande do Norte.
O suspeito se apresentou à 3ª Delegacia Regional de Caicó na tarde de segunda-feira (27), acompanhado de um advogado. Ele alegou à Polícia Civil que cometeu o crime por medo de ter a relação exposta.
Segundo o delegado Diego Garcia, responsável pela investigação, o adolescente afirmou que o contato entre os dois aconteceu por meio de um site de relacionamentos. Após o encontro, o suspeito teria se sentido intimidado pela vítima e usou uma réplica de arma de fogo para obrigá-lo a entregar a senha do celular.
“Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida”, disse o delegado.
Ainda conforme a Polícia Civil, o adolescente relatou que, depois disso, utilizou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. Segundo o delegado, o investigado afirmou que a intenção era apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do quarto.
O delegado Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil da Paraíba, afirmou que, após o crime, o adolescente tentou deixar o hotel usando o carro da vítima, mas não conseguiu.
“Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido.”
Segundo a Polícia Civil, não havia entorpecentes no quarto do hotel. A investigação também encontrou a existência de uma luva cirúrgica no local. Os investigadores apreenderam uma pistola de airsoft e algemas, que, conforme o delegado, foram objetos que ajudaram a esclarecer o caso.
“Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor”, afirmou o delegado.
Adolescente já respondeu por outros atos infracionais no RN
Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que o adolescente possui, pelo menos, 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte.
Segundo os investigadores, ele também já foi internado em unidade destinada a menores infratores.
De acordo com a polícia, entre os registros há atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica, entre outros crimes.
Relembre o caso
Washington Rodrigo, de 33 anos, foi encontrado morto na sexta-feira (24) em um quarto de hotel na orla de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.
A Polícia Civil informou que o adolescente teria usado um nome falso para se hospedar no hotel e deixou o local sem registrar a saída. A investigação é conduzida pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.
Familiares disseram à TV Cabo Branco que Washington Rodrigo trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.
Por g1 PB


