Gleisi admite PEC da Transição travada “por falta de articulação”

Gleisi Hoffmann. Foto: Fábio Vieira

Por Raphael Veleda

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, admitiu ontem, quinta-feira (24/11), que a equipe de transição de governo não calculou bem a dificuldade para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) a fim de garantir verbas dos programas sociais a partir do ano que vem. Segundo Gleisi, a PEC da Transição está travada “por falta de articulação no Senado”, mas que “outras saídas” podem entrar no radar.

O objetivo principal dessa PEC é garantir recursos para a manutenção do Auxílio Brasil, que voltará a se chamar Bolsa Família, no valor de R$ 600 para as famílias beneficiárias. Pela proposta orçamentária enviada pelo governo Bolsonaro, o valor volta ao patamar dos R$ 400. Os parlamentares, mesmo os da oposição, têm consenso sobre a necessidade de se aprovar esse valor, mas a maioria do Congresso não quer dar espaço fiscal por quatro anos para o próximo governo gastar, como quer o PT.

“Está faltando articulação política no Senado; por isso, eu acho que nós travamos na PEC”, avaliou Gleisi, em entrevista coletiva concedida na sede da transição, em Brasília, após a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Catar, com vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia.

“Estamos fazendo as conversas no Congresso Nacional, no Senado, acertando bem o texto. Acho que é importante a gente ajustar, para que a gente possa ter uma tramitação célere e aprovar a matéria”, continuou Gleisi.

“Acho [problema] foi a forma como iniciou. Talvez não tenha sido conversado com todos os líderes, com todas as bancadas. Isso acabou chateando o pessoal. Acho que política a gente faz considerando, conversando. Mas eu não vejo isso como um grande problema, acho que isso se resolve. E isso já tá sendo feito”, completou a deputada federal reeleita.

Questionada sobre as cobranças pela nomeação de ministros, sobretudo o da Fazenda, para facilitar essa articulação, Gleisi desconversou e disse que é preciso respeitar “o tempo de Lula”, referindo-se ao presidente eleito, que está passando a semana em São Paulo por recomendação médica, após passar por um procedimento cirúrgico na garganta.

“Acho que articulação política se dá no Congresso, independe de quem é ministro. Eu acho que a gente tem de respeitar o tempo do presidente da República, o tempo de Lula, de avaliar sobre quem ele quer nos ministérios. Até porque é uma responsabilidade muito grande. Você coloca um ministro e não pode retirar logo em seguida. Eu não sei porque essa ansiedade toda”, disse ela.

Equipe de transição viu jogo da Seleção com camisas amarelas da CBF

Ao lado do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), e de outros membros da equipe de transição, Gleisi viu o jogo do Brasil nesta quinta no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. Todos usavam a camisa amarela da Seleção, numa tentativa simbólica de retomar esse símbolo, que é muito usado por bolsonaristas.

Na entrevista após o jogo, Gleisi celebrou a vitória. “É muito bom estrear na Copa do Mundo ganhando. E [com] um dos gols muito bonito, acho que é um gol que vai ficar pra história”, disse ela, referindo-se ao segundo gol de Richarlison no jogo.

“E muito bom que seja do Richarlison, que é uma pessoa que, além de excelente jogador, tem posicionamentos firmes, combate o racismo e sempre diz que vai colocar sua visibilidade a favor de causas justas. E acho que somos pé quente aqui”, concluiu ela.

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