Israel rejeita plano de Trump para desarmar Hamas
por The New York Times

O governo de Israel rejeitou um plano de 15 pontos apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que visa desarmar o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, afirmou neste domingo (9) o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
Trump anunciou um acordo com o Hamas no fim do mês passado, classificando-o como um grande avanço. O gabinete de Netanyahu havia manifestado ressalvas, afirmando que a proposta “não reflete as posições de Israel”, mas sem chegar a rejeitá-la abertamente.
A proposta apoiada pelos EUA prevê um processo gradual no qual o Hamas entregaria suas armas a uma nova administração palestina em Gaza. Em troca, Israel se retiraria, também de forma gradual, de mais da metade do território que ainda controla.
Neste domingo, Netanyahu disse ter rejeitado o plano. Ele afirmou que as forças israelenses “não realizariam nenhuma retirada até que o Hamas fosse desarmado”. Foi um raro rompimento público do premiê com Trump, com quem o israelense mantém uma parceria.
“Quero deixar claro: Israel descarta o plano de 15 pontos”, disse Netanyahu em uma reunião com ministros do governo, segundo comunicado divulgado pelo seu gabinete. A nota acrescentou que Tel Aviv transmitiu suas preocupações ao governo Trump.
O primeiro-ministro israelense, que enfrentará uma difícil campanha pela reeleição neste segundo semestre, prometeu uma “vitória absoluta” sobre o Hamas depois que o grupo liderou o ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza. Mas, quase três anos depois, a facção ainda controla partes do território palestino.
Israel e Hamas concordaram com um cessar-fogo inicial em Gaza, apoiado pelos EUA, em outubro do ano passado, e os mediadores esperavam que isso pusesse fim à guerra. Mas a trégua deixou para depois muitas das questões mais difíceis —incluindo o controle do território pelo Hamas.
O plano de paz de Trump para Gaza prevê que o Hamas entregue suas armas, uma exigência central para o governo de Israel. Mas a resistência armada é um princípio fundamental do grupo, o que torna a questão um grande ponto de impasse.


