José Loreto fala sobre emoção de viver Chorão no cinema: ‘Não consigo colocar em palavras’

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por Folhapress

Jovem cantor de rap veste camiseta branca com mangas pretas e boné, está no centro do palco com microfone, ao fundo bateria e microfones em suportes. Iluminação azul destaca o artista.
O ator José Loreto em cena de ‘Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?’ – Divulgação

José Loreto já soma mais de 20 anos de carreira e participou de novelas que marcaram a televisão brasileira, como “Avenida Brasil” e o remake de “Pantanal”. Mas nenhum personagem teve para ele o mesmo significado de Chorão.

Em entrevista ao F5, o ator afirmou que nunca havia desejado tanto contar a história de alguém quanto a do vocalista do Charlie Brown Jr., morto em 2013. “Dar vida a esse cara tão revolucionário é uma dádiva”, disse.

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A interpretação já lhe rendeu o Kikito de Melhor Ator no 54º Festival de Cinema de Gramado, em agosto, quando o filme “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” foi apresentado pela primeira vez ao público. O longa, que estreia no circuito comercial em março de 2027, também teve duas exibições na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que terminou nesta semana.

Para Loreto, acompanhar as primeiras sessões foi uma experiência emocionante, especialmente por observar as reações da plateia à história do cantor. Além do reconhecimento profissional, o filme também marcou o início de uma relação pessoal.

Durante a preparação para viver Chorão, Loreto conheceu sua namorada, a também atriz Nanda Marques, com quem hoje divide o elenco de “Quem Ama Cuida” (Globo). Na novela das nove, porém, os dois quase não se encontram nas gravações, já que integram núcleos diferentes.

Na entrevista, Loreto também falou sobre essa nova experiência com a atriz, os desafios de interpretar um dos maiores nomes do rock brasileiro e a emoção de ver seu trabalho reconhecido. Confira abaixo.

Chorão marcou gerações com sua música e sua personalidade. O que significou para você ter a oportunidade de contar sua história no cinema?
Não teria nenhum personagem mais significativo, mais forte, cuja história eu desejasse mais contar do que o Chorão. Suas músicas são hinos de uma juventude, ensinamentos muito fortes, ainda mais em um momento da vida em que somos uma esponja, aprendendo e desenvolvendo nossa personalidade. A personalidade tão marcante do Chorão faz dele um artista original e único. Dar vida a esse cara tão revolucionário é uma dádiva. Não consigo nem colocar em palavras o que isso significa.

Chorão tinha uma personalidade muito marcante, tanto nos palcos quanto fora deles. Qual foi o maior desafio na construção do personagem?
É mais fácil falar qual não foi o desafio! Tudo no Chorão é um desafio. A intensidade dele, tanto no amor quanto na raiva. Ele está sempre sentindo tudo, vivendo tudo com muita intensidade. O maior desafio foi levar essa potência para a tela sem ser exagerado, estando de corpo e alma em cada momento da vida dele, em cada dor.

Qual foi a cena mais difícil de interpretar emocionalmente?
O Chorão teve muitas perdas fortes, algumas nos próprios braços. É muito difícil acessar emocionalmente esse lugar de perder algo muito valioso de forma tão repentina. É muito doído. Tenho algumas cenas com essa dor.

Sua interpretação já rendeu o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado, antes mesmo da estreia comercial do filme. O que esse prêmio representa para você neste momento da carreira?
Esse prêmio é, primeiro, uma luz sobre a obra e a vida do Chorão. Acho que não o receberia se ele não tivesse sido esse cara tão cheio de luz e sombra, que permite construir um personagem complexo, cheio de camadas. Foi muito lindo receber esse reconhecimento neste momento da carreira. É um carinho no peito, uma confirmação de que estou contando essa história de uma maneira que toca as pessoas. Em Gramado, vi um cinema inteiro em silêncio absoluto em alguns momentos, com choro, sustos e até risadas. Acho que estou apontando para um caminho bonito, digno da história que o Chorão merecia. Sabemos que uma biografia nunca vai agradar a todos, e nem é esse o objetivo. Mas tocar as pessoas com nosso trabalho é uma dádiva, um reconhecimento que vou guardar para sempre.

Foi durante as gravações que você conheceu Nanda Marques e agora vocês estão gravando “Quem Ama Cuida”. Como tem sido essa experiência de trabalhar novamente com ela, agora em um projeto tão diferente?
Conheci a Nanda na época dos testes e, durante a preparação, fomos nos tornando grandes amigos e parceiros. Sabíamos da importância do projeto que tínhamos nas mãos. Éramos dois artistas querendo chegar ao mesmo lugar, pelos mesmos caminhos, contar aquela história com muita dignidade e superar as expectativas. Foi muito bonito nosso encontro. Agora, na novela, temos um elenco gigante e um trabalho diário de meses. É uma dinâmica mais branda, nos encontramos pouco nas gravações, mas está sendo muito gostoso. Vamos ter trabalhos juntos e separados, com intensidades diferentes. Seguimos unidos, olhando um para o outro com o mesmo carinho, só que de outras formas.

 

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