Lewandowski ‘vai para seu último ato na vida pública’ e precisa de time, diz aliado

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Ricardo Lewandowski e Lula

Por Daniela Lima

O ministro Ricardo Lewandowski, que se prepara para assumir o Ministério da Justiça, construiu, semanas antes, o ambiente para convencer antigos aliados a se somarem a ele no que é visto como seu “último ato na vida pública”.

Dias antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o chamar publicamente para uma conversa sobre a Pasta, Lewandowski, segundo aliados, começou a disparar telefonemas.

Discreto, o ministro tratava da possibilidade do convite como rumor. E, estrategicamente, montou o discurso para reunir nomes que o ajudaram durante os mandatos no Judiciário.

“Veja, nenhum convite foi feito, mas se essa informação tiver um fundo de verdade, eu vou precisar de time, eu vou precisar de equipe, e já não tenho mais”, disparou a aliados históricos.

Para bom entendedor, meia palavra basta. “Professor, eu não sei o que o senhor vai fazer. Mas se o senhor aceitar, pode contar comigo”, foi a resposta de Manoel Carlos, o advogado que vai assumir a secretaria-executiva do ministério e que há décadas é afilhado jurídico e político do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lewandowski lançou o canto da sereia a outros nomes do Ministério Público e do Judiciário, gente que o conhece desde os tempos de Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Manoel, por exemplo, atuava como diretor jurídico da CSN quando recebeu o telefonema do ministro. Amigos brincam que o advogado rezava para Lewandowski não aceitar o cargo. “Se ele for, eu não tenho como, nem cogito, dizer não”.

Para aliados, o ministro estrategicamente buscou gente que o conhece há tanto tempo que uma recusa seria impensável. “O ministro é vocacionado para o público, não tem jeito. Ele estava ganhando dinheiro no setor privado, mas não estava completo. Agora, ele vai para o último ato na vida pública. E quem for chamado, vai junto”, diz um amigo do jurista.

Quem não tinha dúvida de que Lewandowski partiria para a missão, segundo esses amigos, era a mulher do ministro, Iara. “Você quer ir, né? Vai.”

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