Lula e presidente da França, Emmanuel Macron. Foto: PT/Ricardo Stuckert
Por Ana Flávia Castro
Em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “ameaças” as restrições impostas em documento adicional enviado pela União Europeia (UE) ao Mercosul, para garantir a concretização do acordo de livre comércio entre os dois blocos. Ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, Lula pediu tratados internacionais “mais justos”.
Lula participa da Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, em Paris, nesta sexta-feira (23/6). Mais tarde, ele será recebido por Macron em um almoço de trabalho, no Palácio Eliseu, a nova residência do presidente francês. O líder europeu é uma das vozes mais duras em relação ao tratado.
“Os acordos comerciais têm de ser mais justos. Estou doido para fazer um acordo com a União Europeia. Mas não é possível. A carta adicional que foi feita pela União Europeia não permite que se faça um acordo”, declarou o petista.
“Nós vamos fazer a resposta, e vamos mandar a resposta, mas é preciso que a gente comece a discutir. Não é possível que nós tenhamos uma parceria estratégica e haja uma carta adicional fazendo uma ameaça a um parceiro estratégico. Como a gente vai resolver isso?”, prosseguiu, se referindo a Macron.
Em viagem à Europa esta semana, o titular do Palácio do Planalto tenta costurar um apoio para o andamento do tratado, emperrado há duas décadas. Em coletiva de imprensa na última quinta (22), Lula chamou o documento de “inaceitável” e prometeu debater o assunto com o presidente francês.
Os dois líderes têm uma relação amigável, e Lula restabeleceu, em janeiro, as relações diplomáticas estremecidas entre os países após um incômodo com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar do clima amistoso, Lula e Macron ainda divergem em temas estratégicos, como posicionamentos em relação à guerra na Ucrânia e o andamento do tratado.
Acordo Mercosul-UE
Em negociação há pelo menos 20 anos, a concretização do tratado comercial é uma das apostas do petista para o terceiro mandato. No entanto, esbarra em entraves impostos por nações do bloco europeu, principalmente relacionados à proteção ambiental.
O acordo de livre comércio está em negociação desde 1999, e foi assinado 20 anos depois, no início da gestão de Jair Bolsonaro (PL). O documento, porém, ainda não foi ratificado; logo, não entrou em vigor.
Para que isso ocorra, o texto precisa ser aprovado pelos parlamentares de todos os países-membros dos dois blocos econômicos, além de passar por procedimentos internos de ratificação. Caso seja concluído, o documento criará a maior zona de livre comércio no mundo.