Lula anuncia Plano Safra recorde de R$ 400,5 bi para se aproximar de base bolsonarista

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia do Minha Casa, Minha Vida no Palácio do Planalto - Evaristo Sa - 10.abr.2024 - AFP

O presidente Lula (PT) anunciou na quarta-feira (3) o Plano Safra para 2024 e 2025 com a cifra recorde de R$ 400,5 bilhões.

O petista fez uma cerimônia com parlamentares e empresários do agronegócio em um movimento para tentar se aproximar do setor, que é uma das principais bases eleitorais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No seu discurso, fez diversos gestos à plateia. Ele disse que não governa ideologicamente e vai morrer sem perguntar em quem um empresário votou. “Não precisa gostar de mim. Eu certamente vou gostar de vocês, porque não desprezo possíveis eleitores”, disse, arrancando risadas.

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“Por isso que fazemos Plano Safra melhor do que aqueles que parecem gostar de vocês e não gostam”, disse, numa menção velada ao antecessor.

“Vou nascer e morrer sem nunca perguntar para um empresário brasileiro se ele gosta de mim ou se ele votou. Não é essa relação, não é casamento. Quero construir um país, sonho com país mais desenvolvido, padrão de classe média evoluído”, completou.

O governo federal também anunciou R$ 108 milhões em recursos da linha de crédito LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) para complementar os incentivos do Plano Safra.

Apesar do esforço, a bancada ruralista no Congresso mantém críticas e diz que o plano precisa de ainda mais recursos para o seguro rural e para a equalização da taxa de juros cobradas dos produtores.

O programa como um todo terá R$ 400,5 bilhões, mas só uma parte desses recursos vem dos cofres públicos. O programa prevê linhas de crédito e incentivos para o setor, tendo como destinatários desde agricultores familiares a mega produtores.

O valor é superior ao do primeiro ano do governo Lula 3, quando foram anunciados R$ 364 bilhões para o financiamento da atividade agropecuária de médio e grandes agricultores.

Do total anunciado na quarta (3), R$ 293,2 bilhões serão voltados para custeio e comercialização e o restante para investimentos.

Além disso, R$ 189 bilhões terão taxas controladas e voltadas a produtores, cooperativas e Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), enquanto os outros R$ 211,5 bilhões terão taxas livres

A quem estiver no Pronamp, o juros de custeio será de 8% ao ano e, no caso de investimentos, a taxa será variada de 7% a 12% ao ano.

O Plano Safra prevê ao menos 13 programas diferentes voltados à inovação e modernização da atividade produtiva. Também há linhas que beneficiam práticas sustentáveis, como a recuperação de áreas degradadas.

O anúncio acontece em um momento de novas dificuldades na relação com o agronegócio, que nas últimas eleições apoiou Bolsonaro em peso.

O setor e a bancada ruralista reagiram à iniciativa do governo de importar arroz para evitar a alta do preço do produto em decorrência da calamidade climática no Rio Grande do Sul.

Após problemas no leilão, com indícios de irregularidade, o governo decidiu anular o leilão. Durante esse processo, também houve a demissão do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Neri Geller.

O Plano Safra é uma das principais apostas do governo Lula para se reaproximar do agronegócio, setor que esteve associado nos últimos anos com o bolsonarismo.

No entanto, o plano desse ano vem enfrentando alguns percalços e chegou a ter seu lançamento adiado uma vez. O governo trabalhava inicialmente com um novo recorde nos valores, ultrapassando R$ 500 bilhões —o valor anunciado ainda é recorde, mas está abaixo do esperado.

O próprio ministro Carlos Fávaro chegou a afirmar que pretendia fazer o lançamento no estado do Mato Grosso, um dos berços do agronegócio. Mas, com receio de resistência dos produtores locais, o evento foi realizado em Brasília, no Palácio do Planalto.

Representantes do agronegócio afirmaram ter gostado dos números apresentados pelo governo, mas viram problemas em dois componentes do programa —cerca de R$ 1 bilhão para o seguro rural e R$ R$ 16,5 bilhões para a equalização da taxa de juros. Na visão do setor, os valores são insuficientes para atender às demandas dos produtores rurais, apontaram membros da Frente Parlamentar da Agropecuária.

O lançamento ocorreu em uma cerimônia à parte da do Plano Safra para agricultura familiar, feita também na quarta (3), que terá R$ 76 bilhões de crédito.

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